O desrespeito para com os cidadãos (e seus familiares) aqui no Estado de Minas Gerais, em especial quanto às questões burocráticas e as desculpas que a máquina estatal inventa para justificar sua inércia e a mais absoluta falta de atendimento, atinge as raias do absurdo quando um simples papel (formulário) indispensável para um sepultamento é negado.

Nesta terça-feira (3), por exemplo, os familiares de um cidadão falecido dentro da Santa Casa de Caridade de Formiga, passaram pelo dissabor de por horas seguidas não poderem transferir o corpo, para um dos velórios da cidade.

Por que? Simplesmente porque a “DO” (Declaração de Óbito) único documento capaz de liberar a emissão da Certidão de Óbito pelo competente cartório, lhes foi negada, por não haver no hospital, no PAM ou na Secretaria de Saúde, uma via sequer deste documento que, apesar de ser indispensável, está sendo distribuído pelo Estado de Minas Gerais, em “doses homeopáticas”.

“Pouquíssimas vias tem chegado às nossas mãos”, garantiu o secretário de Saúde de Formiga, Gonçalo Faria, que se encontrava na DRS (Delegacia Regional de Saúde) em Divinópolis-MG, tratando de diversos assuntos de interesse de sua pasta, inclusive tentando obter algumas vias “extras” do aludido documento.

O corpo do falecido só foi liberado para o velório por volta das 15h, mesmo assim porque a família precisou se deslocar para a vizinha cidade de Pimenta onde conseguiu emprestada uma via do tal documento para que assim pudesse, com cinco horas de atraso iniciar o não menos penoso processo de velório de seu ente querido.

Será só desrespeito e inoperância por parte do Estado? Não, claro que não! Tem muito mais gente envolvida que também precisa se explicar. Faltou previsão, gestão, comunicação ou coisa que o valha já que, os gestores municipais, responsáveis pelo recebimento do documento e distribuição do mesmo aos hospitais e ao PAM, (onde todo mundo sabe, óbitos ocorrem, infelizmente, cotidianamente), deveriam ter um controle do estoque mínimo.  Aliás, esta carência inexplicável ocorre não só quanto a documentos, mas especialmente, quanto a medicamentos, materiais indispensáveis para pequenas e grandes cirurgias, equipamentos que não funcionam, disponibilização de consultas, de médicos, quanto ao descumprimento, inclusive de requisições judiciais, etc.

A saúde vai sim, muito mal, neste município, no Estado e como de resto neste país.

Se o próprio secretário afirmou que não tem conseguido êxito em suas tentativas junto a DRS, ainda que na busca de um simples formulário de papel; e como o jornal apurou que até às 16h, fechamento desta matéria, na cidade ainda não havia uma folha sequer do tal DO, só resta denunciar e rezar para que hoje, não tenhamos por aqui, nenhum, outro óbito. É pedir muito? 

Redação do Jornal Nova Imprensa

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