Da Redação

Pela segunda vez no ano, alunos de escolas públicas do município que moram no bairro Geraldo Veloso e adjacências estão sem condições de ir para a escola por falta de crédito nos cartões de passe livre, usados nos ônibus de transporte público que circulam em Formiga.

O primeiro caso ocorreu no mês de março e durou quase o mês todo, levando crianças de várias idades a se aventurarem por ruas e avenidas super movimentadas do município, em trajetos que poderiam durar mais de duas horas; ida e volta, debaixo de forte sol.

Dessa vez, desde segunda-feira (18) alguns alunos passaram a ter problemas e muitos dos que acordaram logo cedo para se dirigirem à escola, ao terem os cartões recusados nas lotações, precisaram voltar para suas residências.
Crianças mais assíduas às aulas foram as primeiras a perceberem que o crédito do cartão havia terminado. Problema que gerou stress, ansiedade e revolta nos pais que se sentem humilhados por não terem condições financeiras de arcar com o gasto da passagem de ida e volta dos filhos à escola. “Na quarta-feira várias crianças desceram da lotação por terem os cartões rejeitados. Como o crédito do meu filho já havia acabado desde segunda, porque ele nunca falta às aulas, dei a ele os únicos R$5 que eu tinha e fiquei rezando para que na volta o motorista deixasse ele vir sem pagar”, comentou uma das mães que denunciaram a situação ao Nova Imprensa. Atualmente, a passagem no transporte urbano de Formiga custa R$3,65.

Segundo as mães, desde o início da semana elas vinham entrando em contato com o Setor de Transportes da Secretaria de Educação, e lá a informação era de que o problema era na Procuradoria Municipal devido ao atraso na confecção do contrato que deveria ser firmado entre o município e a Viação Formiga, empresa que ganhou a concessão para explorar o transporte público na cidade.

“Usam palavras difíceis, tentam nos convencer de que não é grave as crianças ficaram sem ir a escola. Isso é tirar dos estudantes o direito deles de estudar”, comentou outra mãe de aluno morador do Geraldo Veloso, em entrevista ao NI.

Os pais dos alunos, que preferiram não se identificar, apesar de serem conhecidos dos servidores da Educação, reclamam que além de todo o transtorno causado pela falta de crédito nos cartões de passe-livre dos alunos, eles ainda enfrentam o descaso e a má vontade das pessoas que deveriam resolver o problema. Os moradores do bairro Geraldo Veloso, que se comunicam por meio de um grupo de WhatsApp falam em tomar medidas legais contra a Prefeitura caso o problema se repita.

Na Prefeitura

O Nova Imprensa entrou em contato com a administração municipal na quarta-feira (21) pela manhã, após as denúncias. No fim da tarde, a informação repassada pelo diretor do departamento de Comunicação, Mardem Lima, era de que de fato havia ocorrido atraso no empenho dos valores que cobrem o contrato, mas que estava tudo resolvido e que, em 48 horas tudo voltaria ao normal. Conforme o prazo divulgado, os cartões serão recarregados até tarde desta sexta-feira (23) e, portanto, os alunos terão perdido uma semana inteira de aulas, podendo voltar a usar o transporte apenas na segunda-feira (26).

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