Um estudo do Conselho Federal de Medicina mostrou, em números, como o uso da cadeirinha reduziu as mortes de crianças em acidentes de trânsito.

É uma tragédia que se repete diariamente. No domingo (23), dois meninos, um de 4 e outro de 9 anos, foram arremessados para fora do carro, que capotou em uma estrada gaúcha. Segundo a Polícia Militar, as crianças estavam sem cadeirinha nem cinto de segurança. Arthur, o caçula, morreu na hora. O mais velho foi internado em estado grave.

A segurança dos filhos é prioridade absoluta para a Ana Paula. Ela admite que dá uma certa preguiça entrar no carro até porque dá trabalho acomodar o Rafael, de apenas 2 anos. Tem ainda o Guilherme e o Alexandre, de 3, e, no banco de trás, ainda tem o Henrique, de 5. Mas uma pesquisa mostra que a mãe dos meninos está certíssima: vale a pena o esforço.

“São meus filhos. Eu tenho que prezar pela segurança deles. O máximo que eu puder fazer, eu tenho que fazer”, afirma Ana Paula Farias.

A obrigação de usar cadeirinha no carro reduziu o número de mortes e internações de crianças vítimas de acidentes de trânsito. O estudo é do Conselho Federal de Medicina, da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

Em 2010, quando entrou em vigor a resolução do Conselho Nacional de Trânsito, 346 crianças com até 9 anos morreram nas estradas. Em 2017, foram 279, uma queda de quase 20%. E o número de internações de crianças em estado grave caiu 33%.

Um projeto de lei encaminhado no início de junho pelo governo ao Congresso pretende acabar com a multa para o motorista que levar criança fora da cadeirinha. Pelo projeto de lei, a infração será punida apenas com advertência por escrito.

Os dados da pesquisa que mostram redução no número de mortes desde que a cadeirinha se tornou obrigatória reforçam a posição dos especialistas em segurança no trânsito. Eles defendem a importância da multa como forma de educar o motorista.

“Quando a pessoa passa a entender que ela vai ser punida, que ela vai perder algum valor, ou ter que pagar algum dinheiro, ela passa a respeitar mais as leis de trânsito. A maioria dos países que conseguiu reduzir o número de mortes e sequelas graves nas tragédias no trânsito agiu de forma severa, punindo aqueles verdadeiros infratores”, diz Antônio Meira, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

O Ministério da Infraestrutura não comentou o resultado da pesquisa e reafirmou que, de acordo com a proposta, os motoristas que não usarem o dispositivo de segurança para transportar crianças com menos de dez anos receberão uma advertência do órgão de trânsito.

 

Fonte: G1 ||

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