A Câmara Municipal de Arcos empossou na tarde desta segunda-feira (10), duas suplentes para o cargo dos vereadores Pedro Cezar Rodrigues (PSD) e Wirlei de Castro Alves (PHS), presos na quinta-feira (6) em uma operação de combate à corrupção na cidade.

De acordo com a secretaria da Câmara, Magda Hisolina Jacomim Fontes (PSDB) e Maria Aparecida Alves (PR), ocuparão as cadeiras de forma temporária, até que se comprove ou não as irregularidades apontadas pelo Ministério Público contra os dois titulares.

Caso sejam confirmadas as irregularidades, elas assumem em definitivo as cadeiras. Já o presidente da Câmara, João Paulo Teixeira Cunha (PSD), conhecido como Marollo, não foi afastado mesmo estando preso, pois não foi feito o pedido em decisão judicial, como ocorreu com os outros dois vereadores.

Prisões

Além dos três vereadores, o ex-prefeito de Arcos, Claudemir José de Melo, também foi preso na quinta-feira durante uma operação de combate à corrupção no município. As operações “Ônibus Fantasma” e “Rota Alternativa” foram deflagradas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em conjunto com a Polícia Militar, às 6h.

Ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva, 26 mandados de busca e apreensão e a ordem de afastamento de quatro agentes públicos de seus cargos.

De acordo com a PM, além do ex-prefeito e dos vereadores, o alvo dos mandados são empresários e servidores da Prefeitura de Arcos que ocupavam cargos de direção e chefia entre 2009 e 2012 e agosto de 2014 e 2016.

Combinação de preços

O MP afirmou que também foram apuradas infrações entre 2017 e 2018, como a combinação de preços entre as empresas de transportes para unificar a cobrança por serviços aos consumidores, atuação coordenada de empresas concorrentes em processos licitatórios e cooptação e intimidação de testemunhas.

Segundo a promotoria, as investigações foram iniciadas em 2017 e revelaram o “funcionamento de uma organização criminosa na Prefeitura” dentro do período investigado. Dentre as infrações, foi apurado o funcionamento de um esquema de direcionamento de licitações e superfaturamento de contratos administrativos em vários setores do poder Executivo.

Ainda de acordo com o MP, o esquema atuava “inclusive no âmbito dos serviços de transporte de estudantes universitários, transporte de alunos da zona rural, transporte de carnes para os açougues da cidade, serviços de conservação de escolas e creches municipais e limpeza urbana e manutenção de prédios públicos”.

A quantia estimada dos valores pagos em propina ultrapassa R$ 1 milhão, segundo o MPMG.

“Ônibus Fantasma”

A operação investiga os processos licitatórios realizados para a contratação de empresas de prestação de serviços de transportes a estudantes universitários e de alunos da zona rural para as escolas municipais.

O nome da operação teve origem no superdimensionamento das planilhas de controle dos serviços de transporte, que indicavam distâncias maiores do que as efetivamente percorridas e trajetos que não eram executados pelas empresas, de acordo com o MPMG.

“Rota Alternativa”

Já a operação “Rota Alternativa” é uma ampliação das investigações para outras áreas do município, onde ficou comprovada a atuação da organização criminosa, com direcionamento de licitações e superfaturamento de contratos, segundo o MPMG.

O nome da operação faz referência ao trajeto do dinheiro pago em favor das empresas. Conforme a promotoria, o repasse era feito através de aditivos ilegais inseridos em contratos administrativos e o dinheiro retornava, na forma de propina, a servidores públicos envolvidos com as fraudes.

Também segundo o MPMG, as investigações serão concluídas em dez dias.

Foto: CMA/Divulgação

 

 

 

Fonte: G1||

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