Por Paulo Coelho

O problema que há décadas se repete em Formiga, após ano, relativo ao não fornecimento regular de água tratada aos munícipes, finalmente, se consumados os projetos que foram explanados pelo diretor do Saae, José Pereira de Sousa (Capitão Sousa) durante a fala dele na “Tribuna do Povo” da Câmara, na segunda-feira (13), estará resolvido em definitivo.

Durante explanação, que durou mais de uma hora, Capitão Sousa, contando com o apoio de quase todos os funcionários da autarquia que por lá ocupam cargos de confiança ou são comissionados, deixou claro aos vereadores e demais presentes que a herança recebida das administrações anteriores, (FALTA DE INVESTIMENTOS), é a principal responsável por tudo aquilo que hoje ocorre em termos de desabastecimento e justifica o que a população e vereadores chamam de atendimento precário.

Definindo a situação:

“Não se pode cobrar hoje, um atendimento tipo Dubai, quando aqui se investiu algo do tipo Namíbia”, é a frase que marca o entendimento do diretor sobre a polêmica questão.

Foi assim que ele demarcou sua posição ao iniciar sua fala respondendo reclamações e  críticas em relação ao não funcionamento adequado da autarquia, durante o encaminhamento de tradicionais e repetitivos pedidos de providências. Alguns destes, até mesmo ilustrados com a projeção de vídeos feitos em diversos locais, confirmando as situações que envolvem diretamente a prestação de serviços ou a falta dela, pela autarquia.

Souza acabou ministrando uma aula sobre a crise hídrica, que para ele é nacional e mostrou, naquela oportunidade, todo o conhecimento técnico de que dispõe, enfatizando que sem o investimento de muito recurso nesta área, nada ou muito pouco se fará para minorar o sofrimento da população formiguense.

Sobre a estrutura

O diretor defendeu a tese de que a autarquia, é bastante enxuta no que toca ao número de colaboradores diretos, enfatizando que hoje o Saae conta com apenas 126 colaboradores em seus quadros.

Ele explanou sobre o organograma funcional, citou cada um dos setores e afirmou que para atender urgências e emergências, daqueles cento e poucos, dispõe de apenas quatro funcionários para este tipo de serviço.

Contratação de mais 40

Ao responder um questionamento do vereador Rogerinho do Fórum, Sousa afirmou que para ofertar um serviço de melhor qualidade ao público, precisa admitir (criar cargos) no mínimo, mais 40 servidores. “Isso de imediato”.

Indagado sobre qual seria o impacto financeiro resultante dessas contratações, o diretor do Saae não soube responder, mas prometeu enviar a posteriori os estudos que garante, existem.

Perguntado sobre como aplicará o valor economizado enquanto não fizer as tais contratações, Capitão Sousa afirmou que investirá em novos veículos, através da aquisição de dois caminhões e de mais duas camionetes, além de uma nova retroescavadeira.

Energia alternativa:

Quanto a isto, não há planos. Souza acha inviável e antieconômico a autarquia aplicar em energia solar e disse que, se possível, construirá uma usina na base da nova barragem que pretende construir.

Barragem:

Disse que já licitou os projetos iniciais para a construção da nova barragem e estranhamente, informou que sua localização ainda não foi definida.

Detalhe: não faz muito tempo, o site oficial da Prefeitura publicou nota com fotos afirmando que o local estava sim, definido e fora visitado por ele, prefeito e secretário de obras.

Ao vereador Flávio Couto, Sousa confirmou que o prefeito está em busca de financiamento da ordem de R$10 milhões para a construção da referida barragem.

Respondendo ao questionamento, explicou ao vereador Mauro César que o serviço de limpeza urbana não pode de forma alguma ser cobrado do Saae. Mesmo quando esta autarquia promove a “sujeira” de locais públicos em razão das condições dos serviços a serem executados, por exemplo, após a manutenção das redes, já que a autarquia apenas presta serviço ao município e sem escavar o pavimento não tem como se chegar à tubulação defeituosa. “Eu cobro 15,9% sobre as contas de água/esgoto, a título de taxa de limpeza urbana, o que é integralmente repassado ao município”, disse.

Na mesma resposta, ele afirmou que o problema do não funcionamento da fonte luminosa da praça da Matriz São Vicente Férrer ocorre porque a cidade passa por uma crise hídrica.

Detalhe: O vereador, ao que parece, não quis rebater a resposta, pois, sabidamente a água que circula na fonte luminosa, uma vez armazenada no espelho d’água, se mantida limpa, não exige troca constante. Portanto…

 Impedimento de calçada na Praia Popular:

Sobre o problema do acúmulo de entulhos na calçada do entorno da Praia Popular – local de caminhada dos amantes do esporte, Sousa explicou que inicialmente o serviço seria feito por outra empresa que cuidaria do recapeamento, o que isentaria o Saae desta obrigação. “Como tudo mudou e agora temos que fazer o acabamento, o faremos, mas é claro, paulatinamente…”

Contas em atraso:

Respondendo à indagação do vereador Flávio Martins, Sousa disse que consumidores em atraso e que tenham sofrido o corte de água, podem procurá-lo, pois, “sempre se chega a um bom acordo”.

Atendimentos prioritários:

Deixou claro que emergências e urgências tem que ter prioridade. Porém, após o expediente, dias santos ou feriados ele conta apenas com poucos funcionários. “Por isso resolvo só o prioritário. Por exemplo, o fechamento de registros para estancar vazamentos e outras providências mais simples. Não disponho nem de pessoal ou de equipamentos para fazer um atendimento mais completo, como vocês querem”.

Balanço das realizações:

Explanou sobre as obras realizadas nos primeiros 10 meses de governo, dando destaque à recuperação das bases de sustentação da fundação do prédio que abriga a Estação de Tratamento que estava ruindo; a construção de banheiros decentes para o atendimento dos funcionários; a compra de um bebedouro para atendimento deles; recuperação através dos serviços de serralheria em seis caixas d’água; diversas substituições de trechos de redes de esgoto; comunicou o início da construção de rede de esgoto em Albertos; implantação do  Programa Vida Nova Rio Formiga; compra de equipamentos;  entrada em funcionamento de cinco estações elevatórias (??) e ligeiramente comentou sobre o grande vazamento que ocorreu na elevatória da Cidade Nova.

Disse que ali houve um problema na rede elétrica, causa principal do problema. “Um fusível desarmou, coisa comum e que acontece a toda hora em redes elétricas”.

Detalhe: Não foi questionado sobre os motivos de não se colocar em funcionamento um plano B… Nem por quantos dias o vazamento persistiu gerando o grave problema que foi noticiado, comprovado e que gerou a intervenção de órgãos fiscalizadores.

Comentou ainda sobre a herança de um vazamento oculto que resultou na demolição de uma casa na rua Padre Alderico, no bairro Sagrado Coração de Jesus, afirmando que o Saae já indenizou o proprietário.

Poços artesianos:

Informou que hoje o Saae opera com 78 poços no município, sendo 42 na zona urbana, 27 na zona rural e 10 nos balneários. Promete furar mais sete poços na zona urbana e quatro na zona rural. Disse que ainda não começou tais obras em virtude da não negociação dos terrenos onde eles deverão se localizar, mas que a licitação e a contratação da empresa já está resolvida.

PMSB

Lembrou que o Plano Municipal de Saneamento Básico prevê um investimento da ordem de R$72 milhões entre 2016 e 2018 e enfatizou novamente a necessidade de se amealhar tais recursos.

Por que a crise?

Respondendo a pergunta que motivou sua presença no Legislativo, respondeu: “Porque Formiga não tem uma represa que lhe garanta a independência hídrica por pelo menos seis meses, é simples”.

Licitações:

Disse que a autarquia realizou em 10 meses, 27 pregões, 56 registros de preços, nove dispensas e três inelegibilidades, lembrando que isto é uma excelente performance, se considerarmos a complexidade da lei.

Controle de qualidade:

Disse que controle é feito a cada duas horas e que a água servida em Formiga está entre as 10 de melhor qualidade no Estado.  Dos 126 funcionários do Saae, 26 trabalham apenas no tratamento de água.

ETE

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) está em construção e, segundo Capitão Sousa, a obra ficará pronta, mas que não sabe quando. “Um dia ficará”, concluiu.

Ventosas?

É contra a instalação de tais equipamentos que prometem inibir a cobrança de ar medida nos hidrômetros. Garante que o Inmetro não homologa este tipo de equipamento e que como o Saae não comete crime, “aqui não instalamos este tipo de equipamento”.

 Resumindo:

Sousa entende que os problemas que a autarquia enfrenta, só serão definitivamente solucionados se houver grande investimento. “Formiga tem que aprender a pensar grande. Parar de fazer puxadinhos, parar com remendos”, foi esta a frase que repetiu algumas vezes durante sua extensa fala.

Elogio recebido:

O vereador Evandro Donizeth (Piruca) agradeceu pela ligação de esgoto na rua Cataguases que há 25 anos esperava por esta grande obra para atender as oito residências ali construídas.

Atendimento telefônico:

O vereador Marcelo Fernandes quis saber por quais motivos não se instalou placa de retorno na estação telefônica, o que gera falta de atendimento e tem sido motivo de muitas reclamações por parte dos usuários. Como resposta ouviu que o Saae dispõe de dois telefonistas e que melhor que se instalar a placa, será substituir todo o equipamento. “Mais viável é comprar outra central”, falou Souza, demonstrando certa irritação com a recorrência do assunto. E “sutilmente” fechou o tema, lembrando que não pode inchar o Saae com a contratação de mais 10 telefonistas.

Queixas e cobranças de Sandrinho:

A não recolocação ou reconstrução de pavimentos por onde o Saae passa foi lembrada pelo vereador Sandrinho da Looping que mencionou o caso da rua Lute Grego, cujo problema se arrastou por mais de dois meses. Voltando ao assunto do não atendimento telefônico, disse que a busca de solução para isto era urgente. Sobre a falta de plantões Sandro questionou: “os problemas nem sempre acontecem só durante os horários de expediente e, portanto, temos que ter uma equipe de plantonistas nos finais de semana, feriados e à noite”. Sandrinho ainda cobrou carinho e bom atendimento para os usuários. Lembrou que no Cidade Nova e Balbino Ribeiro, há três dias a água não aparece.

Em resposta Sousa disse: “voltando ao buraco do Sandrinho, este informo que ele já foi tapado” e sobre remendos no pavimento explicou a razão pela qual “o remendo” nunca fica igual. “Meu pessoal não é especializado. São bombeiros, pedreiros e se compactar muito, o cano racha”, etc.

Mais uma vez, sobre a central de telefones, Capitão Sousa disse que: “no devido tempo comprarei uma”.  Sobre o problema no Balbino Ribeiro ele explicou que lá existem duas bombas e que uma delas foi para o reparo, mas teria voltado com defeito. Garantiu que neste período o caminhão esteve abastecendo a caixa.

Sobre aumentar o número de plantonistas, foi lacônico: “Vazamento detectado em feriados e à noite e em fins de semana, o máximo que  eu posso fazer é mandar o porteiro fechar o registro”.

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