“Ao mesmo tempo em que está difícil, eu estou muito feliz, muito grata. Porque eu acho que – acho, não, tenho certeza – que a gente renasceu. É um misto de sentimentos, mas é muita gratidão de poder estar aqui. Os ferimentos não são nada perto do que a gente passou. Foi um pesadelo, mas passou. E a gente vai levando um dia de cada vez e agradecendo a todo mundo, por Deus, por a gente poder estar aqui vivos”.

O desabafo é da fotógrafa Ana Costa, de 49 anos, uma das sobreviventes da queda do paredão em Capitólio. Com braço quebrado e curativos, às vésperas de a tragédia completar uma semana, ela carrega no corpo as marcas do acidente.

A fotógrafa, que estava com a família em uma das lanchas que afundaram após a queda do paredão no último sábado (8), foi uma das três pessoas ouvidas pela Polícia Civil nesta sexta-feira (14) em Belo Horizonte. Ao todo, 17 depoimentos já foram realizados.

“Eu acho que o que a gente tem que pensar é daqui para frente. Tem que ver quais as medidas de segurança que têm que ser tomadas, manter uma distância maior dos paredões, colocar obrigatoriedade do uso do colete salva-vidas para todos, porque os coletes com certeza salvaram as crianças. Tem que pensar daqui para frente, mas eu acredito que tenha sido uma fatalidade”, disse ela.

Segundo Ana, apenas as crianças e idosos foram orientados a usar o colete salva-vidas. Os filhos, de 9 e 11 anos, usavam o equipamento. Ana conseguiu salvar um dos meninos e o marido, Alexandre Campello, resgatou a outra criança.

O jornalista, de 51 anos, também prestou depoimento nesta manhã. O casal conta que, antes da tragédia, viu pedras caindo do cânion. Após o alerta de uma amiga delas, o marinheiro começou a manobrar a lancha para se distanciar do paredão. Mas não houve tempo.

“As pedras caíram, a gente viu realmente. Mas, para mim, no momento que eu vi, eu achei absolutamente normal porque, como você está próximo do paredão, você não consegue ver a fissura lá em cima. As lanchas que estavam mais distantes conseguiam ver a fissura, mas a gente, não. Eles começaram a gritar, mas a gente também não escuta”, disse.

Demora no resgate

Assim como Ana, Alexandre acredita que se tratou de uma fatalidade. Mas ele reclama da demora no socorro e disse que houve “falha” no resgate.

“Eu não tenho a dimensão exata do tempo, mas ficamos mais que meia hora aguardando o socorro da Marinha e não teve socorro nenhum. Até que chegou ao ponto que os próprios barqueiros falaram: ‘Vamos colocar todo mundo que está ferido no barco e vamos levar para terra’. Se não fosse isso, a gente ia ficar lá infinitamente aguardando”, afirmou.

Fonte: G1

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