Poucos treinadores tiveram da torcida a idolatria que Jorge Sampaoli alcançou nos seus menos de 12 meses no Atlético. Nenhum técnico teve tanto poder na Cidade do Galo como o argentino. Mesmo assim, a relação chegou ao final na segunda-feira (22), com o treinador anunciando, por meio de nota, que na próxima quinta-feira (25), contra o Palmeiras, às 21h30, no Mineirão, pela 38ª rodada do Brasileirão, ele e sua comissão técnica comandam o time pela última vez.

É o final de uma relação em que o “respeito” esteve presente em apenas um lado, o atleticano. E isso tem uma explicação simples. Os investidores viram em Sampaoli o treinador badalado, com esquema de jogo ousado, a solução para comandar o projeto que tem como objetivo recolocar o Galo na rota das grandes conquistas.

Logo após sua eleição, o presidente Sérgio Coelho afirmou que por ele o treinador teria o vínculo renovado, pelo menos até dezembro de 2022, o que faria do argentino o comando alvinegro na inauguração da Arena MRV, estádio do Galo, que tem a conclusão das obras previstas para outubro do ano que vem.

O torcedor, ansioso por uma grande taça, em especial a do Brasileirão, que o clube não ergue há quase meio século, viu no argentino o comandante que poderia encerrar o jejum, por parte da sua história, pelos vários reforços que chegaram à Cidade do Galo e pelo início empolgante da equipe na Série A.

Não esteve na mesma proporção o respeito do argentino. E a ruptura do projeto é a maior prova disso. A aposta nele foi grande, a diretoria e torcida o protegeram, mas ele preferiu deixar o processo pelo caminho.

Trabalhou muito no período, mas o ambiente é algo muito importante no futebol, e Sampaoli não prezou por isso.

Implantou regras que beiram ao absurdo, se sentiu incomodado com coisas simples e perdeu o grupo em alguns episódios, o principal deles a festa que teve a participação da sua comissão técnica pouco antes do surto de Covid-19 na Cidade do Galo.

Os jogadores eram muito cobrados no comportamento em tempos de pandemia pelo novo coronavírus. E o Atlético caminhava bem demais neste aspecto, até que no início do returno o vírus chegou com força no centro de treinamentos atleticano.

É impossível afirmar onde começou o surto, mas é uma realidade o fato de que os primeiros infectados eram todos da comissão técnica.

Multa

Como Sampaoli vai romper o contrato com o Atlético, terá de pagar ao clube uma multa, de cerca de R$ 4 milhões. A tendência é de que seja descontada a premiação a que ele tem direito por ter levado o time à fase de grupos da Copa Libertadores 2021.

Seu futuro deve ser no Olympique de Marselha, da França, que perdeu no início do mês o português André Villas-Boas, que deixou o clube insatisfeito com a contratação de um jogador que não foi indicado por ele.

Na próxima quinta-feira, contra o Palmeiras, Jorge Sampaoli completa 45 partidas no comando do Atlético. Foram 25 vitórias, nove empates e dez derrotas, todos os reveses no Campeonato Brasileiro, onde o G-4 está assegurado pelo Atlético, seja como terceiro ou quarto colocado.

Fonte: Hoje em Dia

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