Enquanto os juros para pessoas físicas estão descendo a ladeira e ficando mais toleráveis para os brasileiros, uma das taxas permanece sem alterações desde fevereiro. É a do cartão de crédito. Os juros de agosto para essa modalidade ficaram em 10,68% ao mês ou 237,93% ao ano. Já são seis meses sem mudanças. E, por isso, agora são os mais altos do país, uma vez que os dos empréstimos captados em financeiras caíram 4,24% e estão em 10,62% ao mês ou 235,74% ao ano.
Na média geral, que engloba todos os tipos de crédito oferecidos pelo mercado, os juros brasileiros ficaram em 7,08%, em agosto, com queda de 1,80%, ou 127,25% ao ano, de acordo com o levantamento divulgado pela Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac). Essa taxa média é a menor já apurada pela pesquisa, que teve início em 1995.
Segundo o vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, a queda é reflexo do momento atual. ?A economia está melhor, há uma expectativa de inadimplência menor e os bancos estão mais competitivos?, explica. A redução da taxa média foi a sétima consecutiva e foi puxada principalmente pela diminuição nas taxas dos empréstimos para financeiras e o do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) dos bancos. A trajetória também segue os rumos traçados pela Selic, que apresentou queda entre janeiro e outubro, apesar da manutenção do índice de 8,75% ao ano, neste mês.
Por causa de toda essa conjuntura favorável à diminuição das taxas, Ribeiro de Oliveira afirma que ?não há explicações? para a manutenção dos juros dos cartões de crédito em patamares tão elevados. ?Tudo indica que é por causa da falta de concorrência. Não é à toa que o governo quer regulamentar esse tipo de operação?, afirma. Para se ter uma ideia, uma pessoa que usar R$ 1 mil do cartão e não pagar no prazo normal do vencimento pode desembolsar R$ 3.357 no fim de um ano. Se usar esse mesmo valor no cheque especial a dívida fica em R$ 2.350. E se captar esse dinheiro no CDC o valor pago ao término de 12 meses soma R$ 1.370.
Para a professora de matemática e gerente de loja Gláucia Monteiro Macaroun, de 28 anos, as taxas dos cartões são abusivas. Por isso, ela faz questão de pagar suas boletas antes do vencimento. ?Já me embananei uma vez e fiquei sem cartão por uns cinco anos. Agora voltei a ter um, mas só uso com muito controle?, afirma.
Não é só por causa dos juros nas alturas que os cartões são vistos como vilões. As altas taxas também cobradas do varejo (aluguel de máquinas, porcentagem do valor da compra e custos por antecipação do crédito) levaram à análise da questão pelo governo federal. ?Tudo isso é que motiva a luta pela regulamentação das operações com cartões de crédito no país?, afirma o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Roberto Alfeu.
Ele diz que a expectativa é de que a sonhada regulamentação saia em outubro. ?Nos Estados Unidos os juros dos cartões ficam, no máximo, em 20% ao ano. Aqui, passa dos 230%, o que é ruim para todo mundo porque é um dinheiro que vai para as mãos das operadoras e não volta ao consumo?, observa.

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