Antes da chegada da era digital, a melhor forma de se expressar o amor era por meio de cartas. As cartas carregavam manifestações profundas e verdadeiras do sentimento mais sublime. Desta forma, a Biblioteca Municipal Dr. Sócrates Bezerra de Menezes traz como indicação de leitura da semana a obra “Cartas do coração: uma antologia do amor” da jornalista carioca Elisabeth Orsini.

A indicação faz parte do projeto “No meio do caminho tem um livro”, uma parceria entre o jornal Nova Imprensa e as bibliotecas públicas da cidade.

 

Resenha

A obra “Cartas do Coração: uma antologia do amor” é um livro sensível e que jamais há de perder a atualidade. E aqui não se trata de estar em consonância com o espírito da época, o que, aliás, ocorre exemplarmente nestas páginas de amor plural, mas quanto ao fato de o leitor iluminar a própria vida nos amores alheios, lançando mão de uma herança de escuridão e alumbramento.

Conhecemos assim, como que de forma íntima, o amor que salvou Nelson Rodrigues, e o que tornou Rilke melhor poeta, mas não ignoramos tampouco a melancolia de Camille Claudel e o desassossego de Mariana Alcoforado. O amor tudo pode: solar ou sombrio, físico ou platônico, tal como disse Ficino. O amor pode tocar, regido pelo fogo ou pela água, a fronteira do ser com o nada. Seguir místicas ascensões. Sofrer ásperos declínios.

Vemos nestas páginas um jogo de coincidências, e de profunda unidade, pois antes mesmo de escrevemos sobre o amor, este já nos escreveu, dentro de um gênero, tradição e imaginário. As cartas aqui reunidas, como as de Graciliano, Clarice, Machado e Merquior, guardam não poucas semelhanças, conquanto não desapareçam de todo as diferenças históricas e ideológicas, permanece um discurso que se realiza apesar de seus autores. Coincidem ao reclamar a alma gêmea, a honra e o serviço, a dissolução, a melancolia e o desencanto. Metáforas que atingem o curso das estrelas e a operação dos anjos.

Com esta reunião de cartas, Beth Orsini (o coração em chamas, a razão perplexa). Onde podemos reconhecer algo de nossa imagem e dessemelhança, das cartas que um dia escrevemos, e daquelas que jamais conseguimos escrever: mudam os endereços, passam os destinatários. Mas é somente o amor, aquele que não passa o amor que move as cartas e as estrelas. Um convite a que o leitor escreva derramadas cartas ou ouse viver sua grande paixão.

Redação do Jornal Nova Imprensa

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