Paulo Coelho*

Considerada a demanda e os apelos que fizeram com que o atual prefeito Eugênio Vilela cumprisse a promessa de disponibilização da Casa de Apoio, destinada a minorar o “sofrimento” dos formiguenses que precisam se deslocar para Belo Horizonte, no intuito de conseguirem a realização de exames especializados, consultas e/ou eventual internamento para a realização de cirurgias ou de outros procedimentos, o número obtido junto à Secretaria de Desenvolvimento Humano, indica que a população ao que se nota, ainda não percebeu a importância e as vantagens de se usufruir deste equipamento público inaugurado no dia 16 de março deste ano.

No primeiro mês de funcionamento, foram apenas 108 os atendidos. Sendo considerados somente as pessoas que acorreram apenas para tomar um banho, descansarem por algumas horas enquanto aguardam o horário de volta das conduções ou mesmo para fazerem uma refeição. Neste número inclui-se inclusive o pouso, ainda que eventual, dos motoristas que trabalham junto ao departamento de Transporte Fora do Domicílio (TFD) da Secretaria de Saúde. Numa conta rápida, chega-se ao resultado de um atendimento diário, em torno de 3,6 pessoas (ocupações, ainda que momentâneas).

Segundo a Secretária de Saúde, Denise Mota, a maioria dos pacientes que demandam serviços hospitalares e de clínicas, prefere permanecer na rua, na porta dos locais onde serão atendidos, à espera do horário de atendimento, por medo de perderem a vaga, caso suas senhas sejam chamadas sem que eles estejam presentes.

“Mas esta situação, acredito, logo mudará, pois, os poucos que chegam à Casa de Apoio, pelo tratamento ali recebido, logo percebem as vantagens de se usufruir daquele serviço. Estas pessoas são as maiores divulgadoras da casa e certamente convencerão a outros pacientes. Gente, se você vai ser atendido na parte da tarde, depois de uma viagem que começou cedo, às vezes de madrugada, como explicar que alguém possa dispensar um bom banho, uma alimentação bem feita e produzida com muito carinho, além de poder descansar até momentos antes de ser novamente conduzida para o endereço onde deverá fazer seu exame? Este fenômeno ocorre também em Casas de Apoio de outros municípios, como exemplo a de Divinópolis” disse Denise.

De acordo com a funcionária da Secretaria de Desenvolvimento Humano, Lindamar Azarias a Casa de Apoio dispõe de ótima estrutura e conta com 11 leitos. “Atualmente, temos hospedados em tempo integral uma paciente que aguarda vaga para um transplante de fígado, uma mãe de gêmeos que estão internados em UTI e um acompanhante de um jovem que está sendo atendido fora do sistema SUS, e não dispõe de recursos para se manter em hotel ou no próprio hospital”, disse Lindamar.

De acordo com a Secretaria as despesas com alimentação neste mês somaram R$1.577,25 e o total de gastos chegou a R$9.233.90, incluídas as compras de panelas, talheres, equipamentos e moveis. O aluguel mensal da casa está fixado em R$5 mil e os gastos com pessoal empregado (coordenadores e outros) para o funcionamento da casa não está computado no valor acima.

NR: Se um dos objetivos da Casa de Apoio era o de se evitar que pacientes oriundos de Formiga ficassem vagando pelas praças públicas da capital, em especial na região hospitalar enquanto aguardam o horário de consultas, não se alcançou esta premissa. Tudo indica que, além de se disponibilizar um veículo que atenda exclusivamente aos que se encontrarem na casa, será necessário ainda, que se invista em informativos, que melhor esclareçam os interessados e mostrem as vantagens do serviço ora ofertado, pois, só assim, o objetivo principal daquele equipamento público, estará cumprido: diminuir, ou melhor, evitar o sofrimento daqueles que demandem de serviços médicos e ou hospitalares fora do domicílio.

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