Dois meses após o trágico incêndio que a destruiu parcialmente, a Catedral de Notre-Dame de Paris volta a receber uma missa na tarde deste sábado (15). Quem está à frente da celebração é o padre Michel Aupetit, que é arcebispo da Igreja Católica em Paris desde janeiro de 2018.

A missa deste sábado começou às 18h (horário de Paris, 13h no horário de Brasília) e teve 50 minutos de duração.

Por razões de segurança, apenas um pequeno grupo de 30 pessoas puderam comparecer, em sua maioria padres da diocese local. Todos com capacetes, já que a catedral ainda tem entulhos dos escombros e áreas descobertas.

Mas meios de comunicação foram autorizados a transmitir ao vivo a celebração.

O único momento em que os religiosos retiraram seu capacete foi durante o rito de consagração da hóstia e do vinho, que, na tradição católica, se transformam no corpo e sangue de Cristo.

A pedra angular da Catedral
Durante a celebração, Aupetit afirmou que a Catedral de Notre-Dame de Paris não tem uma vocação de ponto turístico. Segundo ele, não existem turistas na Notre-Dame. “Muitos entram por curiosidade, mas não saem da mesma forma”, explicou o padre, referindo-se a uma presença divina “incontestável”.

Michel Aupetit também afirmou que todos os edifícios são construídos a partir de uma pedra angular e que, no caso da catedral, essa pedra é Cristo. “Se retirar essa pedra essa catedral vai desmoronar de verdade.”
Ainda de acordo com Aupetit, cultura e culto são terminos etimologicamente parecidos e “justamente quando o gênio humano junta o gênio divino” acontece a “aliança do céu e da terra”.

O arcebispo ainda disse que “tudo aqui é cultural e artístico”, apontando para as obras, estátuas e vitrais da catedral, mas lembrou que essa produção artística foi feita “em função de uma divindade superior e transcendental”.

Após dar uma benção aos presentes e a todas as pessoas que já estiveram na catedral ou foram impactados pela tragédia de abril, Aupetit pediu uma oração voltada à estátua da Virgem Maria que sobreviveu ao incêndio, mas atualmente está protegida por uma cerca de madeira durante os trabalhos de restauração.

Fechada para visitação
A igreja e seus arredores continuam fechados para a visitação, enquanto os investigadores ainda continuam a trabalhar na causa do incêndio.

Na quinta-feira (13), em um comunicado, Aupetit agradeceu a todas as pessoas que se mobilizaram para apoiar a comunidade da catedral.

“Que todos os que se mobilizaram desde 15 de abril, e que todos os que continuam a trabalhar, todos os dias, pela Notre-Dame, sejam doadores, arquitetos, pedreiros, responsáveis políticos, sejam agradecidos calorosamente por seus esforços”, afirmou ele.

Promessas de doação
Entre as promessas de doações para Notre-Dame, que chegaram a € 850 milhões, apenas 9% foram cumpridas, segundo informou a rádio France Info nesta sexta-feira (14). De acordo com o Ministério da Cultura da França, as doações recebidas até o momento chegam a € 80 milhões.

O montante que chegou aos cofres das fundações que gerenciam o patrimônio francês corresponde a pequenas doações particulares, sob forma de cheques, transferências e até mesmo dinheiro vivo. Segundo a France Info, muitos doadores também decidiram recuar, ao perceberem o grande sucesso da mobilização em prol da catedral.

O ministro francês da Cultura, Franck Riester, tentou minimizar a situação, em entrevista ao canal France 2 nesta sexta-feira. “O que acontece é que pode haver pessoas que prometem, mas, no final, não realizam a doação. Mas, sobretudo, e isso é normal, as doações serão feitas progressivamente em função da evolução das obras”, afirmou.

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Fonte:

G1