Levantamento divulgado pelo Serasa Experian mostra que quase 2,1 milhões de moradores de Minas Gerais estão com dívidas em atraso de até R$ 500. Como há muitos mineiros com mais de uma dívida, o total de débitos na base da Serasa, no valor de até R$ 500, se aproxima dos 3,9 milhões de registros.

Economistas e lojistas estão otimistas com a possibilidade de consumidores usarem o saque para quitar pendências. “Se R$ 500 resolverem o problema, ótimo. Se o saldo da dívida for maior do que o valor a ser sacado, vale a pena renegociar a diferença e pagar quantas parcelas puder”, orientou o economista-chefe da Serasa, Luiz Rabi.

Em todo o país, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), quase quatro em cada 10 pessoas estão com o nome negativado por dívidas que somam o mesmo valor.

“Esse valor de R$ 500 pode parecer pouco para alguns, mas é a metade de um salário mínimo. Para quem está com contas em atraso, esse recurso extra poderá aliviar o bolso. Mesmo para quem tem uma dívida maior, esse dinheiro pode ser usado para abater parte do débito e contribuir em uma renegociação com parcelas menores, que possam caber no orçamento”, considerou o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

A maioria dos brasileiros (53%) deve no máximo R$ 1.000, cifra quase idêntica a um salário mínimo (R$ 998). Os 2,1 milhões de mineiros que devem até R$ 500 representam quase um terço do total de moradores do Estado na lista de inadimplentes da Serasa, independentemente do total da dívida.

Injeção

Nas contas da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, a liberação de até R$ 500 em cada conta ativa ou inativa irá injetar R$ 28 bilhões no mercado. Levando-se em conta os saques em 2020, quando os trabalhadores poderão retirar parte do FGTS na nova modalidade criada pelo governo, batizada de saque-aniversário, outros R$ 12 bilhões poderão ser aplicados na economia doméstica, totalizando R$ 40 bilhões.

Sem falar que a rentabilidade no FGTS é inferior a outras aplicações, mesmo após a taxa básica de juro, a Selic, ter sido reduzida de 6,5% para 6%, na semana passada, pelo Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Renegociações

A decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica anual de juros (a Selic diminuiu de 6,5% para 6% na última semana) e sinalizar que novas quedas vão ocorrer até o fim do ano se tornaram atrativos para devedores renegociarem dívidas, mesmo aquelas com saldo acima do limite autorizado pelo governo para o saque do FGTS em 2019 (R$ 500).

Especialistas avaliam que as condições da renegociação ficarão mais favoráveis, com juros menores, após a guinada do Banco Central em relação à Selic. “Os descontos na renegociação tendem a ser mais fáceis. Ainda mais numa época em que se aproximam datas comemorativas, como o Dia das Crianças (outubro), a Black Friday (novembro) e o Natal (dezembro). As pessoas voltam a ter crédito com a renegociação”, recomenda Luiz Rabi, economista-chefe da Serasa.

O economista-chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida, vai na mesma linha: “Aqueles que têm saldo maior (que R$ 500), poderão abater a dívida ou até mesmo procurar o credor e renegociá-la, pagando à vista com desconto”.

Saúde

A quitação da dívida total ou mesmo parte dela é tida como alívio para muitos brasileiros, sobretudo aqueles que colecionam problemas de saúde em razão de débito. Um estudo divulgado em julho pelo Instituto Locomotiva, em parceria com a Negocia Fácil (serviço de cobrança digital), revelou que 54,8 milhões de brasileiros têm o sono prejudicado por causa do endividamento. A pesquisa mostra ainda que 45,3 milhões sofrem com alterações no apetite e que 54,1 milhões dos devedores têm autoestima prejudicada.

O educador financeiro José Vignoli, do SPC Brasil, recomenda, por exemplo, até a “substituição da dívida por uma outra que cobra juros mais baixos”. “É uma opção a ser levada em conta, como é o caso do consignado, que tem juros mais baratos que o do cartão de crédito, por exemplo. Já as dívidas com serviços básicos, como água e luz, embora cobrem juros menores, trazem transtornos na família por causa do corte no fornecimento. Para algumas pessoas, a inadimplência chega a um ponto tão dramático que acabam recorrendo a uma espécie de ‘rodízio’, ou seja, escolhem a cada mês qual conta será paga em detrimento de outra”.

 

 

Fonte: Hoje em Dia ||

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