O vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, informou ontem, em carta à Assembleia Nacional, que o presidente Hugo Chávez não tomará posse de seu novo mandato amanhã. Ele permanece internado em um hospital de Cuba, em recuperação após uma cirurgia de um câncer.
Conforme o comunicado lido pelo presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, a equipe médica encarregada da saúde de Chávez indicou que a recuperação pós-cirúrgica deve se estender e, por isso, a posse está adiada. Não há previsão para a realização da cerimônia.
O anúncio acirra ainda mais as tensões entre situação e oposição, que já se enfrentam há várias semanas em torno da polêmica sobre o que acontece agora.
Os chavistas afirmam que a cerimônia de posse na Assembleia Nacional é um formalismo, que pode ser cumprido posteriormente ante a Suprema Corte venezuelana. Portanto, defendem que Maduro continue no cargo por até seis meses – ou até que o atual mandatário volte de Cuba.
Mas a oposição pressiona para que Cabello assuma o cargo interinamente. Dessa forma, ele fica obrigado a convocar novas eleições em até 30 dias.
OEA
A Mesa de Unidade Democrática (MUD), principal oposição venezuelana, enviou uma carta à Organização dos Estados Americanos (OEA) alertando que qualquer cenário alternativo representaria uma ruptura democrática no país.
O assessor especial da Presidência brasileira Marco Aurélio Garcia disse que o Brasil apoia a tese chavista de que a posse pode ser adiada. Outros líderes da região também demonstraram respaldo, em especial o boliviano Evo Morales e o uruguaio José Mujica, que anunciaram que viajarão a Caracas para comparecer a um ato de não-posse convocado pelos chavistas para amanhã.
O governador do Estado Miranda e líder da oposição, Henrique Capriles, destacou ontem que a Constituição é a única que estabelece os critérios diante de uma possível ausência do presidente. Aqui se elege um governante, e aqui o povo não escolheu Nicolás Maduro nem os atuais ministros, falou.

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