A cada primavera, ao menos tem sido assim nos últimos anos, a população formiguense fica sobressaltada ao tomar conhecimento via manchetes estampadas em publicações locais de que o próprio diretor do Saae, tem medo de que nosso rio Formiga, seque, antes do final de semana.

É claro que ele que dirige a autarquia deve ter razões mais que suficientes para subscrever um alerta de tal gravidade. É vero que ele constatou que o volume acumulado lá na pequena barragem que atende à captação, tem baixado em média cerca de 20 cm/dia o que, a prevalecer por 5 ou 6 dias, aponta para a perda total do volume acumulado, restando apenas a vazão (fio d’água) que nesta época de seca, todo mundo sabe, é mínima.

Diante desta verdade, o que fazer? Esta é a pergunta que de imediato, faz aflorar em nossa mente uma resposta, mais que óbvia: precisamos encontrar a causa deste “enxugamento” e imediatamente, criarmos uma forma de armazenamento do pouco liquido que ainda corre no leito do ‘ex-rio’. Só assim, juntando água por algumas horas, seremos capazes de bombeá-la para a estação de tratamento.

Se a causa, conforme anunciado for mesmo a retirada desordenada de água a montante, por agricultores, o melhor será que, através de uma negociação, como já foi feito no passado, a Secretaria de Meio Ambiente, o Saae e os agricultores, encontrem uma forma que permita o atendimento de todas as partes. Não há como a agricultura – em especial a estabelecida na região de Padre Trindade, Morro Cavado e cercanias, sobreviver sem se valer da irrigação. Nos parece que ainda que pouca, a água do rio Formiga, pode sim, atender a demanda de todos. Basta organização, compreensão e boa vontade das partes interessadas para que tudo, como já ocorreu no passado, repetimos, se resolva.

E que passada esta fase aguda, com a volta das chuvas que se espera ainda que em volume menor, ocorram dentro de, segundo as previsões, 15 a 20 dias, nossa administração e a população encontrem de comum acordo, uma forma de viabilizarmos a construção de uma barragem a montante da captação, capaz de armazenar água em volume capaz de nos atender em caso de secas mais prolongadas que, é bom não nos esqueçamos, serão a marca das próximas décadas.

Se em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Juiz de Fora e de resto a grande maioria das cidades brasileiras, é esta a melhor solução, não há porque Formiga acreditar que poços artesianos nos suprirão a médio e longo prazos.  Além de onerosos, quem nos garante que as reservas subterrâneas terão longevidade de anos ou décadas?

O diretor do Saae que em entrevista coletiva concedida na semana passada resumiu sua fala afirmando que “quer fazer história na autarquia, prestando um bom serviço a esta cidade”, concluída a fase de reformas, aquisições, troca de equipamentos, investimentos necessários e de outras providências que tem tomado, talvez possa, quem sabe, ao lado de ações que venham a influir diretamente na preservação de nossas nascentes e das ciliares de nossos cursos d’água, iniciar já, um processo capaz de nos permitir armazenar “lá em cima”, a montante da captação água, que nos dê tranquilidade de abastecimento por um período mais prolongado, em caso de seca.

Água represada pode sim ser entendida como água poupada. E como tal, quem guarda na época da bonança, tem a garantia de não passar falta durante o período seco. Quando tudo se complica e muito, ainda nos restará o tal “volume morto”, que há dois anos salva a cidade de São Paulo. Fora isso, aqui em Formiga, nada a fazer, porque a água que se poupa cá embaixo, se não for captada e tratada, todo mundo sabe, acaba chegando ao lago de Furnas. Isto não significa que a população não deva poupar.  Claro que não! Ela deve e precisa poupar até porque o volume captado está cada vez menor. Mas tecnicamente, aqui é assim que a coisa funciona. A água não tratada, a não captada, passa direto e aí…

Dentre outras vantagens, temos razões para crer que uma barragem lá em cima, na região próxima ao Chaparral, além de ser capaz de mandar água para a Estação de Tratamento por gravidade, talvez ainda pudesse ser aproveitada como geradora de energia, aproveitando a água excedente (via ladrão), em razão das condições favoráveis do terreno que permitiriam a instalação de uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica).

Há males que vem para o bem! Quem sabe, o sufoco de agora nos permita pensar em soluções que nos garantam um futuro melhor?

 

 

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