As chuvas ocorridas no dia 11 deste mês, na Região Metropolitana de São Paulo, expuseram as fragilidades das grandes cidades brasileiras.

Ocorreram estragos por toda a região e no balanço dos prejuízos tivemos 13 mortos, falta de luz e de água, inundação de áreas privadas e públicas, etc.

Nas cidades, no lugar onde se tinha florestas e rios, temos hoje construções (prédios, casas, galpões, etc.) e áreas completamente impermeabilizadas (asfalto, passeios, áreas internas cimentadas, etc.). Desta forma, as cidades são insustentáveis. Quando chove torrencialmente as ruas se transformam em rios, os rios transbordam, os bueiros não suportam o volume das águas.

É preciso reproduzir as condições naturais de absorção pelo solo das águas das chuvas, na medida mais próxima da existente no tempo das florestas, quando a maior parte das águas era absorvida e acumulada no lençol freático.

O modelo atual de direcionamento de toda a água dos imóveis para a rua, para a rede pluvial, tendo destino final os rios locais, precisa ser aprimorado e até revisto, com a retenção das águas para ficarem aonde ocorrem as chuvas, com construção de mecanismos para garantir a  retenção delas no local.

Uma das soluções é o poder público e os cidadãos ao impermeabilizarem, quando da realização de obras, fazerem também no local a devida absorção da água das chuvas, seja na forma do usual armazenamento para utilização posterior (nas próprias residências e empresas) e/ou a construção de caixas de recarga.

Para os que não conhecem, caixa de recarga é construída com a retirada da terra de uma área de 2,5 metros de fundo por 1 metro de diâmetro. Cada caixa de recarga atende a uma região de 500 metros quadrados. Posteriormente, coloca-se brita no local. Toda a água deve ser direcionada para o lençol freático. A caia de recarga deve ser limpa anualmente, com a retirada de objetos sólidos (terra, folhas, etc.) e a parte sólida pode ser utilizada como adubo para as plantas.

As águas das chuvas ao caírem na caixa de recarga são direcionadas para o lençol freático, com isto não temos o envio de água para as ruas, para locais longíquos e, também, temos a diminuição das enchentes e de todos os seus efeitos.

As consequências são também visíveis, pois na época da seca os locais que têm instalado caixa de recarga terão as plantas, em um raio de 100 metros quadrados, mais verdes, saudáveis e sentirão menos os efeitos da seca, pois absorveram muita água durante as chuvas. Além disto, qualquer chuva abastece as plantas do local. Também, com o aumento do volume de água nos lençóis freáticos, nas secas os rios são servidos por estas águas.

Pode também cada imóvel fazer depósitos para reter águas da chuva, com a finalidade de uso posterior, sendo somente o excesso lançado nas caixas de recarga.

Com essas pequenas ações reutilizaremos a água, manteremos o lençol freático abastecido, não enviaremos excessiva quantidade de água para as ruas e a rede pluvial, minizaremos os efeitos dos desastres ambientais.

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