Na história econômica do Brasil passamos por diversos ciclos, caracterizados por produtos primários, sem valor tecnológico e com dependência econômica a outros países.
Quando do descobrimento, tivemos o ciclo do Pau-Brasil com a exploração dessa planta nativa, com grande valor comercial e uso na Europa para tingir tecidos.
A seguir, a cana de açúcar foi plantada no Brasil para fornecer para o mercado europeu. Nesse ciclo tivemos o início do uso da mão-de-obra escrava da África.
No século XVII teve início o ciclo do ouro, principalmente em Minas Gerais.
Já no século XVIII temos o ciclo do algodão, com fornecimento do produto para a Inglaterra.
A partir da metade do século XVIII temos o início do ciclo do café, principalmente nas terras roxas do oeste paulista e da região do Vale do Paraíba. Nesse ciclo temos a introdução no país dos imigrantes, sobretudo italianos.
O café gerou acumulação de capital, pré-condição para a industrialização brasileira.
De 1890 a 1945 tivemos o ciclo da borracha, com a exploração da seringueira na região norte.
Em 1930 com o Golpe de Estado, Getúlio Vargas assumiu com poderes absolutos. A partir desse período, temos o início da industrialização brasileira, seu auge foi no governo de Juscelino Kubitschek, com a implantação do programa 50 anos em 5, e a partir de 1964 tivemos o programa de substituição de importações e a consolidação de um parque industrial diversificado.
Atualmente, temos um processo de desindustrialização, semelhante a outros países, com o aumento da participação do setor de serviços no Produto Interno Bruto (PIB).
A nossa pauta de exportações é composta, basicamente, de soja, minério de ferro, petróleo cru e açúcar. Importamos petróleo refinado, peças de veículos, medicamentos, circuitos integrados e carros. Percebe-se sermos exportadores de bens primários e importadores de bens com valor agregado, prontos para o uso, com alto teor tecnológico.
O Brasil, no comércio internacional, sempre teve papel secundário, com o fornecimento de matérias primas, de baixo valor agregado, para os grandes players mundiais, como é o caso atual da China, grande exportador mundial de produtos acabados (eletrônicos, eletrodomésticos, vestuário, calçados, brinquedos, etc.), a qual compra cerca de 30% de nossas exportações.
Esse fato decorre do Brasil ter até 1930 ciclos econômicos e de desenvolvimento baseados na produção de produtos agropecuários e exploração de recursos minerais, completa dependência dos países industrializados e com tecnologia, seja à Inglaterra, aos Estados Unidos e, agora, à China. Atualmente, com a desindustrialização e sem expertise em tecnologia, voltamos a ter situação semelhante.
O Brasil, para reverter tal quadro, precisa rever todo o seu planejamento estratégico para ter um conhecimento e reconhecimento tecnológico em todos os setores, com investimento intensivo em pesquisas, estudos e formação intelectual de mão-obra qualificada, com o objetivo de sermos vedetes mundiais tecnológicas e de mudar nossa pauta de exportações para produtos com valor agregado, como ocorreu com os países tigres asiáticos (Hong Kong; Coreia do Sul; Singapura; Taiwan) e a China.
Encarar o desafio de sermos tecnologicamente autossuficientes, de forma obsessiva, propiciará também o uso mais racional dos nossos recursos, inclusive humanos, e nos retirará o rótulo de sermos mero fornecedor de recursos primários para o mundo.

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