Ainda sob impacto das graves denúncias que se abateram sobre o ex-governador e senador afastado Aécio Neves, ex-presidente nacional do PSDB, o cenário político em Minas encontra-se em estado letárgico, a pouco mais de um ano do início das campanhas eleitorais.

Enquanto Aécio – que, até então, ditava as regras de seu grupo político – briga na Justiça para evitar sua prisão e cassação, Fernando Pimentel, principal aposta do PT para reeleição, vive a iminente ameaça de ser retirado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que o investiga por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Cessaram-se as conversas sobre eleições e alianças políticas. Os partidos agora estão tratando de lamber suas próprias feridas”, definiu um interlocutor político. “Ninguém sabe de nada”, respondeu uma fonte governista, questionada sobre possíveis candidaturas ao governo de Minas. “Não tenho a menor ideia (sobre candidaturas), ainda é muito cedo”, declarou um tucano.

As negativas sobre candidaturas em ano anterior às eleições sempre foram um mantra repetido pelos políticos à imprensa, mesmo que os nomes já tivessem sido decididos internamente. Neste ano, no entanto, os próprios protagonistas desconhecem os rumos que tomarão os partidos. “Ninguém está preocupado com eleições neste momento”, admitiu o senador Antonio Anastasia (PSDB), nome mais desejado pelos tucanos para disputar a vaga ao Palácio Tiradentes. Ainda que citado em delações da Odebrecht como beneficiário de caixa 2 em campanhas, o senador nega qualquer ilícito e espera, novamente, o arquivamento das denúncias envolvendo seu nome.

Mas Anastasia já bateu o pé: não deixará seu mandato no Senado em nenhuma hipótese. “As pessoas nas ruas e nas suas casas estão querendo é responsabilidade da classe política, trabalho em prol da nação, volta do emprego e do crescimento, serviços públicos de mais qualidade. Temos que buscar, antes de mais nada, um caminho para o Brasil, para tirarmos o país dessa gravíssima crise política e econômica em que fomos inseridos”, afirmou o senador. “Tenho certeza de que, no momento oportuno – que não será este ano –, o PSDB e aliados apresentarão a Minas um nome qualificado”, completou.

Desgaste

Para o cientista político, professor e pesquisador do Centro de Estudos Legislativos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Thiago Silame, não será fácil para os aliados de Aécio conseguir eleger um candidato do grupo. Segundo ele, o grupo político deve perder apoios, já que a imagem de bom gestor sustentada ao longo de décadas pelo senador afastado foi derrubada com a divulgação dos áudios sobre suposto pagamento de propina divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Existe toda uma rede de prefeitos, deputados estaduais e federais que orbitavam em torno de Aécio. Creio que muitos desses políticos vão tentar se descolar da figura dele, que está com a imagem pública muito desgastada. Pelo menos no curto prazo, Aécio perde influência”, avaliou Silame.

O problema, segundo o cientista político, é a falta de novas lideranças nos partidos, que poderiam representar a renovação da política. “Em se tratando do PSDB, que é tradicionalmente oligarquizado, a situação se torna mais grave”, afirmou.

 

Fonte: O Tempo Online ||

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