No ano passado, 77 pessoas morreram por causa de acidentes com animais peçonhentos em Minas Gerais. Ao todo, foram 50 mil acidentes notificados, sendo que a maioria deles envolveu escorpiões. E é justamente no verão que este número aumenta, já que, com a temporada de chuvas e calor, estes animais procuram lugares secos para se abrigarem. 

“Nos meses do verão, dezembro a março, há um aumento no número de acidentes por animais peçonhentos em relação aos demais meses do ano. Mais de 40% dos acidentes são registrados nessa época. Isto porque há um aumento no crescimento da população destes animais no período”, explica a coordenadora de Zoonoses e Vigilância de Fatores de Risco Biológicos da  Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Mariana Gontijo.  

Embora os principais causadores dos acidentes sejam os escorpiões, as ocorrências registradas envolvem também cobras, formigas, abelhas, vespas, marimbondos, lagartas, lacraias e aranhas. Eles podem ser encontrados perto de casas, jardins e parques, em áreas urbanas ou rurais. 

Em caso de acidentes, a SES-MG orienta a manter a calma, evitar movimentos desnecessários e manter o membro acometido mais elevado em relação ao restante do corpo. Além disso, é preciso procurar, o mais rápido possível, o seriço de saúde mais próximo. 

Lagartas espinhudas 

As lagartas, por exemplo, popularmente conhecidas como taturanas e mandorová, também costumam provocar acidentes, as chamadas queimaduras. Embora sejam, na maioria dos casos, machucados inofensivos, é preciso ter atenção, especialmente com as lagartas do gênero Lonomia, pertencentes à família Saturniidae (lagartas “espinhudas”). Elas podem causar acidentes graves. 

Vivendo em grupos, estas lagartas possuem cerdas urticantes em forma de espinhos, semelhantes a pequenos pinheiros verdes distribuídos no dorso da lagarta, presença de mancha branca em formato de ‘U’ perto da cabeça e corpo com estrias horizontais predominantemente marrons. Caso a lagarta não apresente estas três características, não pode ser considerada Lonomia mesmo que se pareça com uma. A inoculação do veneno no corpo do paciente ocorre por meio do contato destas cerdas urticantes com a pele, causando dermatite pápulo-pruriginosa.

Este ano, ainda não foram notificados acidentes com lonômias, mas em 2017 foram 136 notificações e no ano passado, 263.

De acordo com a Referência Técnica Estadual do Programa de Vigilância e Controle dos Acidentes por Animais Peçonhentos da SES-MG, Andréia Kelly Roberto Santos, nos acidentes com lonômias podem aparecem complicações como sangramento na gengiva e aparecimento de sangue na urina.

“Em caso de acidente, o ideal é lavar o local da picada com água fria ou gelada e sabão. Em seguida, deve-se encaminhar a pessoa imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa ser avaliada e receber o tratamento adequado, se necessário. Se for possível, é recomendado capturar a lagarta e levá-la até o atendimento, porque assim fica mais fácil definir a conduta clínica, principalmente sobre a necessidade ou não de solicitação de exames periódicos ou observação prolongada”, explica.

Normalmente, os acidentes com lagartas ocorrem quando o indivíduo toca o animal, geralmente em tronco de árvores ou ao manusear vegetação. A dor, na maioria dos casos, é violenta, irradiando-se do local da “queimadura” para outras regiões do corpo.

Veja como evitar acidentes com animais peçonhentos:

A melhor forma de evitar os acidentes é adotar medidas de prevenção. Como o contato com os animais peçonhento ocorre, geralmente, durante a realização de atividades que envolvem a manipulação de galhos, troncos, folhas e coleta de frutos, recomenda-se atenção especial nessas ocasiões, principalmente com as crianças.

A especialista Mariana Gontijo recomenda manter limpos quintais e jardins das residências, não acumular folhas secas e lixo domiciliar. Também evitar a formação de ambientes favoráveis ao abrigo de escorpiões, como obras de construção civil e terraplenagens que possam deixar entulho, superfícies sem revestimento e umidade. Além disso, colocar telas nas aberturas de ventilação de porões e manter assoalhos fechados. 

– Em locais ou situações de risco para acidentes por animais peçonhentos (ex.: florestas, matas, trilhas, áreas com acúmulo de lixos, atividades de lazer, de limpeza, serviços de jardinagem, entre outros), utilize sempre equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas de couro, botas de cano alto e perneira;

– Olhe sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer;

– Não coloque as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras. Caso seja necessário mexer nestes locais, use um pedaço de madeira, enxada ou foice;

– Durante o amanhecer e anoitecer evite a aproximação da vegetação muito perto do chão, gramados ou jardins, pois nestes momentos as serpentes estão em maior atividade;

– Não mexa em colmeias e vespeiros. Caso estes estejam em áreas de risco de acidente, contate a autoridade local competente para a remoção;

– Inspecione roupas, calçados, toalhas de banho e de rosto, roupas de cama, panos de chão e tapetes, antes de usá-los;

– Afaste camas e berços das paredes e evite pendurar roupas fora dos armários;

– Caso encontre um animal peçonhento, afaste-se com cuidado e evite assustá-lo ou tocá-lo, mesmo que pareça morto, e procure a autoridade de saúde local para orientações;

– Em locais rochosos ou com pedras soltas, caminhe sempre com os pés protegido por um calçado firme, de solado antiderrapante (tênis ou sapatilha);

– Evite colocar as mãos desprotegidas em tocas ou sob rochas;

– Ao coletar frutas no pomar, realizar atividades de jardinagem ou em qualquer outra em ambientes silvestres, observar bem o local, troncos, folhas, gravetos antes de manuseá-los, fazendo sempre o uso de luvas para evitar o acidente.

 

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Fonte:

Hoje em Dia