A companhia aérea Norwegian começa a operar no Brasil a partir deste domingo (31). A empresa norueguesa inicia com quatro voos semanais entre Rio de Janeiro e Londres. Com a proposta de oferecer tarifas econômicas (a chamada low-cost), a estreante começa com preços a partir de R$1 mil (200 libras esterlinas) cada trecho para a classe econômica e desde R$2.800 para a premium.

Apesar de se posicionar como uma low-cost, os valores iniciais cobrados no novo trecho não são inferiores ao que seus concorrentes oferecem em viagens para a Europa. É o caso de empresas como a TAP e a AirEuropa. Para o passageiro, no entanto, passa a ser vantajoso ter uma opção de voo que conecte uma cidade brasileira – no caso, o Rio – a Londres sem a necessidade de escala.

Diretor de comunicação e assuntos públicos da Norwegian, o argentino Matías Maciel não detalha qual vai ser a oferta mínima de assentos em cada aeronave na faixa de preço de R$ 1 mil, tampouco diz se essa estratégia agressiva de preço será apenas para a fase inicial da operação, como uma ação de marketing, ou uma decisão permanente. “É uma estratégia confidencial”, afirma.

No entanto, o executivo garante que a companhia está animada com a estreia no Brasil. “A companhia tem por política oferecer tarifas acessíveis para passageiros e partiremos desse valor para cada trecho, que poderá variar dependendo da da época.”

Operação semelhante começou a ser oferecida pela Norwegian em fevereiro do ano passado na vizinha Buenos Aires, que também tem a conexão para Londres. Segundo Maciel, o mau momento da economia brasileira não comprometeu a decisão de lançar a rota Londres-Rio de Janeiro.

Maciel conta que o início da operação na Argentina teve um alto índice de ocupação de assentos. Com a chegada da baixa temporada na Europa e o aumento de quatro para sete frequências semanais, esse número caiu – também sob influência da depreciação do peso argentino.

“Nossos planos são de longo prazo, por isso, não nos detivemos a um fato conjuntural. A empresa tem grande experiência em muitos mercados e sabe que situações adversas acontecem o tempo todo. A aposta nessa rota foi feita porque acreditamos que tem potencial. Estamos aumentando a conexão com a América Latina”, diz o executivo. Por ora, a Norwegian descarta a possibilidade de acertar algum tipo de acordo (code-share) com uma empresa brasileira que queira oferecer Londres como destino.

Toda a equipe de bordo virá da Europa, o que significa que a operação não terá funcionários brasileiros em um primeiro momento. Tanto os voos da Argentina quanto do Brasil são feitos com aviões Boeing 787-9 Dreamliner, com até 344 assentos. A frota tem idade média entre três e oito anos, o que ajuda na economia de combustível. De acordo com a Skytrax-2018, consultoria do Reino Unido dedicada ao mercado de aviação, a Norwegian é a melhor companhia aérea de baixo custo e longa distância do mundo.

Em nota, o CEO do Grupo Norwegian defendeu que a nova rota vai acabar com o “monopólio” de voos diretos entre cidades brasileiras e a capital londrina. Na verdade, trata-se de um duopólio, já que a ligação é feita pela Latam e pela British Airways. “Nossa nova rota no Rio de Janeiro quebra o monopólio dos voos diretos entre o Reino Unido e o Brasil, já que estamos comprometidos em reduzir as tarifas e tornar as viagens mais acessíveis para turistas e viajantes de negócios”, afirmou Bjorn Kjos.

No voo entre Londres e Rio de Janeiro, a Norwegian Airlines decidiu investir nas aeronaves da Boeing, modelo 787-9 Dreamliner. Mas outras rotas operadas pela companhia aérea foram afetadas pela crise causada na fabricante de aviões depois do acidente com um Boeing 737 MAX usado pela Ethiopian Airlines. A tragédia, investigada como possível falha da companhia americana, suspendeu o uso desse modelo em praticamente todos os mercados – inclusive no Brasil, atingindo a Gol.

No caso da Norwegian, a solução veio do uso das cerca de 110 aeronaves Boeing 737-800, que não foram afetadas pela suspensão temporária do 737 MAX. Restou à companhia combinar voos e realocar passageiros em outros aviões para minimizar o impacto causado pelo cancelamento de alguns horários. Segundo divulgação feita na última segunda-feira, a Norwegian tem mantido conversas com as autoridades aeronáuticas europeias e adiou a compra de seis aeronaves Boeing 737-800, optando por aumentar o uso da capacidade do 787 Dreamliner disponível para rotas com alta demanda.

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Fonte:

Estado de Minas