Mais de 20 horas na fila. O motorista Paulo Nogueira chegou ao Posto Pica Pau, na avenida do Contorno, no Barro Preto, região Centro-Sul da capital, ao meio-dia dessa quarta-feira (23), para conseguir abastecer com desconto. “Eu vou economizar R$ 92 hoje. Com essa economia eu consigo fazer compras no supermercado e passear no fim de semana”, afirma o motorista, nesta quinta-feira (24), quando é realizado em todo o país o Dia da Liberdade de Impostos.

Ele completa ainda que como mora próximo ao posto de gasolina, conseguiu deixar o carro na fila, ir em casa, carregar o celular e pegar uma blusa de frio.

A motociclista Ellen Luciana Amorim também  aproveitou a oportunidade no posto, que prometeu abastecer 120 veículos sem cobrar pelos impostos. “Inicialmente, eu ia acompanhar meu namorado, que está de carro, mas resolvi trazer minha moto também. Eu cheguei 18h30 de ontem e vou pagar R$ 35, sendo que eu pagaria normalmente R$ 73”, diz. Ela destaca também que o frio não atrapalhou o tempo de espera e acredita que valeu a pena ter sido a primeira motoqueira das 65 vagas.

A 12ª edição do Dia da Liberdade de Impostos acontece nesta quinta em todo o país. Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Bruno Falci, a ideia de promover essa data é conscientizar não só a população, mas também os governantes. “Temos impostos de primeiro mundo, mas o retorno é de terceiro mundo. O ideal é que não fosse preciso ter manifestações sobre o assunto, porque os impostos deveriam ser condizentes. Por exemplo, nosso salário não acompanha esses aumentos”, conta.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Guimarães, concorda com Falci e diz que hoje é um dia especial pelo fato de coincidir com as manifestações dos caminhoneiros. “A gente destaca que não só o diesel está caro, mas também a gasolina. Hoje estamos diminuindo cerca de 50% do valor. Queremos impostos justos. Minas, por exemplo, cobra 46 centavos a mais que São Paulo… com a Regap aqui, em Betim. É um absurdo”.

Guimarães alerta ainda que se a manifestação dos caminhoneiros continuar até o fim de semana, possivelmente Minas não terá mais combustíveis. Para garantir a gasolina, Sérgio Henrique da Cruz pegou a última senha (com o desconto), de número 120, e contou com a ajuda de cinco amigos para marcar lugar na fila. “Como eu trabalho no turno da noite, pedi para que meus amigos viessem e dormissem dentro do carro, no meu lugar. Eles chegaram às 22h40 e eu só consegui vir às 8h. Eles disseram que algumas pessoas tentaram furar fila, outras fizeram até festa para deixar a madrugada mais animada”, comenta o motorista.

O movimento “Se somos palhaços não tem graça”, que luta contra a carga tributária dos combustíveis, também esteve presente no posto de gasolina. “Nós, motoboys, taxistas, motoristas, em geral, que precisamos dos combustíveis para trabalhar, estamos lutando pela diminuição dos tributos. Esse Dia de Liberdade de Impostos deveria ser todos os dias”, afirma Warley Leite, idealizador do grupo.

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