O governo quer diminuir o ritmo do consumo, conter a inflação e aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), deixando o crédito mais caro. Mas, no primeiro fim de semana depois da medida, o brasileiro não desanimou e foi às compras, principalmente às concessionárias.
Pela reação dos consumidores nesse fim de semana, a estratégia do governo pode não dar muito certo. Vários fizeram as contas e os economistas também. O resultado foi o mesmo: o valor da prestação não vai aumentar muito com o novo IOF. Assim, quem não pode comprar à vista vai continuar financiando. O ideal, dentro do possível, seria dividir a compra em um número menor de parcelas.
O imposto cobrado em operações como empréstimos pessoais subiu de 1,5% para 3% ao ano. As prestações vão ficar mais caras. Para o Conselho Regional de Economia, o aumento não é suficiente para mudar o comportamento do consumidor.
?O aumento do imposto vai ter um impacto pequeno sobre o custo das compras e dos consumidores. Em consequência, o consumidor certamente vai continuar comprando? , prevê o representante do Conselho Regional de Economia, José Sérgio Pagnussat.
O governo, no entanto, acha que vai fazer diferença e terá um impacto no consumo. Espera que os brasileiros parem de gastar tanto porque, quando a economia fica acelerada demais, o resultado é a inflação.
Nas operações com cartão de crédito, o IOF só é cobrado pelos bancos quando o cliente não quita todo o saldo devedor.
Atenção com as dívidas
O economista Rogério Boueri recomenda: para não perder dinheiro, o melhor é diminuir o número de parcelas. ?Quanto mais tempo você ficar preso à dívida, mais IOF você vai pagar. Vai dobrar o IOF sobre a dívida e isso vai ter algum impacto, especialmente no mercado de automóveis e no mercado de bens de consumo duráveis?, orienta.
Como fica para pagar em 60 vezes um carro popular de R$ 30 mil, com juros de 1,8% ao mês? Ao longo de cinco anos, dá uma diferença de mais de R$ 700 no valor total do financiamento. Concessionárias estão lotadas, mas muitos clientes agora negociam para se livrar do financiamento o quanto antes.
O impacto do novo imposto pode ser insignificante no valor das prestações. Em compensação, vai ser ótimo para os cofres do governo, que arrecadará mais.

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