Um tema sério para nossa reflexão: a história do ovo e da galinha – quem teria surgido primeiro? – se repete, no problema de leitura do brasileiro: compra-se pouco livro porque ele é caro ou o livro é caro por que se compra pouco? Tenho as minhas conclusões, mas é um bom assunto para se discutir.
Li, há algum tempo, uma reportagem a respeito da reprodução indiscriminada e ilegal de livros através de xerox, nas universidades – e não só nelas. As editoras se ressentiam de tal prática, que lhes causa milhões de reais de prejuízos a cada ano, pois as cópias significam livros não vendidos. Elas queriam fazer valer a lei de direito autoral, coibindo o uso do xerox.
Não seria mais fácil e racional aumentar a tiragem, diminuindo o custo dos livros e, consequentemente, o preço para o consumidor final, o leitor, o estudante?
O livro é realmente muito caro e quem estuda e paga faculdade, além das outras despesas mínimas para sobreviver, raramente tem condições de comprar livros que custam, às vezes, quase um salário mínimo, se bem que aqueles que custam quase ou mais de cem reais já são inviáveis para a maioria.
A verdade é que as bibliotecas das escolas e universidades estão, em muitos casos, defasadas e têm apenas um ou dois exemplares de cada livro no acervo, quando têm. E, já que nem todos os alunos têm condições, elas deveriam ter mais exemplares para que os estudantes pudessem emprestar os livros, sem ter que copiá-los. (Em vez disso, o Estado Catarinense, por exemplo, comprou, há algum tempo, milhares de exemplares de um mesmo livro, antes de verificar que era impróprio para os estudantes, pagando uma fortuna. Aliás, isso de comprar livros indiscriminadamente, sem licitação, aconteceu mais de uma vez por aqui).
Outro tipo de reprodução ilegal que, parece, ninguém tem interesse de levantar, é a famigerada “apostila”, da qual já falamos, inclusive, em outra oportunidade. Ela é até pior, pois quem a organiza, quase sempre, “chupa” o material de várias fontes – os mesmos livros didáticos que os estudantes teriam que comprar, se não tivessem que comprar as apostilas, que então são vendidas a peso de ouro. São tão caras, que se juntarmos todas as apostilas de um ano letivo, o valor que gastamos para comprá-las daria para adquirirmos todos os livros didáticos que elas substituíram e ainda sobraria dinheiro. Fiz essas contas com as apostilas que minhas filhas usavam no fim do primeiro grau.
No que diz respeito à ficção, já existem em alguns países as cópias piratas de livros: edições com grandes tiragens de best-sellers feitos por editoras clandestinas, imitando com quase perfeição a edição original, tão organizadas que contam até com esquema de distribuição. Esperemos que isto não seja importado pelo Brasil. Que as editoras brasileiras se previnam, revendo os preços dos seus livros, porque as edições piratas são vendidas por preços bem menores que as originais.

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