No dia 10 de março, em viagem a Miami (Estados Unidos), Bolsonaro afirmou: “Muito do que tem ali é muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga“.

No retorno da comitiva ao Brasil, o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, no dia 12 deste mês foi diagnosticado com coronavírus. Toda a comitiva presidencial ficou em quarentena, 15 estão infectados e Bolsonaro fez testes no dia 11, com resultado negativo.

O deputado federal, Eduardo Bolsonaro, vazou para a agência de notícias Fox News ter dado positivo o teste de seu pai e, logo a seguir, acusou a mídia de divulgar informação falsa. O presidente postou “Não acredite na mídia fake news! São eles que precisam de vocês!” A Fox News indicou ser Eduardo Bolsonaro a fonte das informações falsas.

Bolsonaro e seu clã foram eleitos em campanhas eivadas de fake news. Insistem em atacar os meios de comunicação tradicionais, para valorizar as informações postadas aos seus seguidores nas redes sociais.

Muitas das pessoas têm como única fonte de informação as redes sociais e, ciente disso, pessoas inescrupulosas divulgam notícias distorcidas para manipulá-las.

No dia 12 deste mês, Bolsonaro, em pronunciamento na televisão e no rádio, pediu para os protestos previstos para o dia 15 serem “repensados” devido a “recomendação das autoridades sanitárias para que evitemos grandes concentrações populares”.

De forma inesperada, no dia 15, Bolsonaro, em afronta à orientação do próprio Ministério da Saúde, desceu a rampa do Palácio do Planalto, confraternizou com manifestantes e afirmou “Vocês me botaram aqui, agora têm que me ajudar a ficar e governar”. Essa atitude recebeu críticas unânimes da sociedade.

Bolsonaro irresponsavelmente apoiou atos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, inexiste ambiente de aprovação de Impeachment, por falta de vontade política do Congresso, o qual tem sido parceiro do governo na aprovação de projetos.

Os apoiadores de Bolsonaro desencantam, descontentes com sua falta de habilidade no trato com situações cotidianas. Vêem o “mito” virar um grande “mico”. No dia 16, a deputada estadual (PSL-SP), Janaína Paschoal, co-autora do pedido de Impeachment de Dilma Rousseff, desaprovou a ação de Bolsonaro, nas manifestações do dia 15, nesses termos: “O que o presidente da República fez ontem é inadmissível, injustificável, indefensável. É crime contra a saúde pública. Desrespeitou o seu ministro da Saúde. Esse senhor tem que sair da presidência da República.

Espera-se de todo homem público ser um modelo a ser seguido, por isso os atos de Bolsonaro foram reprovados, ao descumprir ordem médica de evitar contato público, por estar aguardando resultado de contraprova (a qual, no dia 17, deu negativo). Assim, de erros em erros, Bolsonaro cria as razões para o crescimento da oposição ao seu governo.

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