A decisão do Senado, por 44 votos a 26, no dia 17 de outubro, de reverter a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal e devolver a Aécio Neves o direito de exercer o mandato parlamentar, e também a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no dia 17 deste mês, de revogar, por 39 votos a 19, a prisão preventiva do presidente da Casa, Jorge Picciani Albertassi e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, assombram a sociedade brasileira pelo corporativismo dos legislativos envolvidos em tais decisões, pois pode a decisão ser até legal, por estar prevista em lei, mas é no mínimo imoral.

Acontece que o Brasil continua a ser abalado por um número enorme de denúncias de corrupção, a envolver todos os partidos, fazendo com que a classe política se defenda e utilize de artifícios diversos.

Ao invés de defender a honradez dos cargos de Senador da República ou mesmo de Deputado Estadual da Federação, os ilustres parlamentares estão mais preocupados em se proteger e se esquivar das acusações, mesmo à custa de estarem, com isto, manchando as instituições e os seus digníssimos cargos.

O que deveria caracterizar estes cargos seria ter todos os integrantes de suas Casas “ficha limpa” e não serem, como nos casos acima, ditos “fichas sujas” a integrar e exercer nobres cargos.

A hegemonia política de partidos na União ou mesmo nos Estados, muitas vezes, tem levado, infelizmente, à exacerbação dos níveis de corrupção. No Rio ainda temos o agravante de 5 dos 7 conselheiros, do Tribunal de Contas Estadual, encarregados de fiscalizar as contas públicas, terem sido até presos.

Após os políticos detentores de cargos ficarem receosos com o aprofundamento das investigações da Operação Lava-Jato, ficaram aliviados com a definição do Supremo Tribunal Federal, por apenas um voto de diferença, de caber ao próprio Legislativo julgar o destino de medidas cautelares contra os seus membros, dando uma justificativa judicial para os detentores de cargos políticos e, por consequência, de foro especial, de em uma sessão extraordinária julgarem o seu próprio destino e, como as denúncias atingem diversos políticos e partidos, existe um corporativismo de proteção aos acusados, pois amanhã quem votar contra os seus colegas poderá ser preso e precisar pedir auxílio dos demais.

Em tempo, importante registrar, que na quarta-feira (22), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, suspendeu a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e determinou o retornou para a prisão, dos senhores Jorge Picciani Albertassi, Paulo Melo e Edson Albertassi.

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