Os sindicatos dos empregados dos Correios decretaram greve a partir desta quarta-feira (16), em meio às negociações salariais referentes ao Acordo Coletivo 2009/10. Neste primeiro dia de movimento grevista, aderiram à paralisação 28 sindicatos, porém apenas 8% dos empregados paralisaram as atividades. Os correios em Formiga não aderiram à greve.
Em Minas Gerais, o efetivo que aderiu ao movimento representa pouco mais de 3% do quadro geral de empregados no Estado. A proposta inicial dos Correios para assinatura do acordo, que foi rejeitada pelos trabalhadores, previa a reposição da inflação do período (4,5%) e aumento nos valores dos benefícios (vale-alimentação, vale cesta, auxílio-creche, etc.), além da manutenção das principais vantagens concedidas pela ECT no acordo anterior.
Os sindicatos reivindicam reajuste de 41,03%, aumento linear de R$ 300,00 sobre os valores já reajustados e gatilho salarial toda vez que a inflação atingir 3%.
Segundo estudos técnicos realizados pela ECT, se fossem atendidas as reivindicações dos trabalhadores, apenas as cláusulas econômicas da pauta custariam aos Correios cerca de R$ 54 bilhões por ano, valor quase cinco vezes maior que toda a receita anual da empresa.
De acordo com o Diretor de Recursos Humanos, Pedro Magalhães, uma nova proposta deverá ser apresentada hoje (16) à representação da FENTECT. Ele acredita que essa proposta atenderá a categoria sem prejudicar a saúde financeira da empresa, colocando um fim à greve. ?Não estamos em um momento propício para greves nos Correios. Recentemente ganhamos um voto de confiança do Supremo Tribunal Federal que decidiu favoravelmente à manutenção do monopólio postal. É hora de mostrarmos que temos responsabilidade?, destacou Pedro Magalhães.
Ganhos
Entre 2002 e 2008 os ganhos dos empregados da ECT foram muito superiores aos reajustes do salário mínimo e do IPCA. Para se ter uma idéia, enquanto o IPCA acumulado do período foi de 52,36%, os salários dos empregados dos Correios aumentaram 110,95%. Esse índice também foi superior ao INPC-IBGE (55,16%) e ao ICV-DIEESE (51,01%).
Os carteiros, só no ano passado, tiveram, além dos reajustes normais concedidos à categoria, um aumento de 30% nos salários, devido à incorporação do adicional de atividade.
Em janeiro de 2003, o salário base inicial do carteiro era de R$ 395,94. Hoje, com o novo adicional, ele recebe salário de R$ 842,60, que somado a outras vantagens, perfaz um total de aproximadamente R$ 1.600,00. Os empregados contam, também, com excelente plano de saúde (médico e odontológico) e plano de previdência privada, além de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários moderno que contempla, dentre outras vantagens, a possibilidade de ascensão funcional.

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