Em 2013, a Polícia Federal desvendou 62 esquemas de corrupção que, juntos, desviaram pelo menos R$ 3 bilhões dos cofres públicos em todo o país. O valor pode ser ainda maior porque, em alguns casos, o rombo ainda não foi estimado. O balanço feito pela reportagem a partir das operações deflagradas mostra que Minas aparece no segundo lugar no ranking dos Estados com maiores desfalques. Foram R$ 857,5 milhões, ou 30% do total.
Na lista dos lesados estão prefeituras, Estados, a União, companhias estatais e, acima de tudo, milhões de mineiros, paulistas e fluminenses, brasileiros de todas as regiões que sofrem com serviços públicos piores em benefício dos bolsos de gestores e empresários corruptos.
Mas Gil Castelo Branco, secretário geral da ONG Contas Abertas, avalia que o montante está subestimado. ?O valor mostra a ponta do iceberg. Um volume expressivo não é desvendado. Um estudo da Fiesp mostra que a corrupção custa ao Brasil até R$ 70 bilhões ao ano?, contrapõe.
Segundo Henrique Carvalhais, presidente da Comissão de Advocacia Pública da OAB-MG, as motivações para a formação dessas quadrilhas podem ser divididas em dois grupos. No primeiro, estão agentes que burlam a lei para obter vantagens e enriquecimento. No outro, enquadra-se a maior parte dos casos de corrupção. São fraudes em que os gestores eleitos ?quitam? o apoio recebido de empresas que contribuíram para a campanha deles.
?O financiamento privado das campanhas é a origem de muitos desvios ? que devolvem contribuições eleitorais. É importante que o Supremo Tribunal Federal (STF) proíba as doações privadas. Muitas facilitações são para cumprir compromissos pré-eleitorais?, avalia.
Perda. Se os R$ 3 bilhões fossem revertidos em obras, poderiam pagar 600 Unidades de Pronto?Atendimento (UPAs), ou seis hospitais semelhantes ao Hospital Metropolitano do Barreiro, em Belo Horizonte. Cada um teria capacidade para atender 450 pessoas ao dia.
O dinheiro poderia financiar também o maior sonho belo-horizontino: seria possível construir 75 km de metrô ? o suficiente para as linhas 2 e 3, além de melhorias no trecho existente.
Entenda
Tempo
Apesar de as 62 operações da Polícia Federal terem sido todas elas desencadeadas neste ano, os crimes praticados aconteceram em 2013, mas também em anos anteriores.
Principais operações em Minas Gerais
Violência Invisível:
Fraudes em licitação estimadas em R$ 70 milhões em dez cidades de MG e de outros Estados. Nove foram presos.
Loki:
Fraudes no INSS geraram rombo de R$ 1 milhão. Ninguém foi preso.
Metástase 57:
Fraudes em licitações geraram prejuízos de R$ 30 milhões em Três Corações, 35 foram presos, três já liberados.
Ghost-Coffee:
Prejuízo de R$ 350 milhões com fraudes tributárias. Não houve prisão.
Sertão Veredas:
Fraude em licitações e em obras desfalcaram cidades do Norte de Minas em R$ 5 milhões. Foram presos 14.
Esopo:
Licitações fraudulentas renderam R$ 400 milhões à quadrilha que agia em Minas e outros Estados. Foram presos 25, e todos já liberados.
Promotoria paulista levantou irregularidades de R$ 1 bilhão
Além da Polícia Federal, outros órgãos trouxeram à tona grandes esquemas de corrupção neste ano. Os dois casos mais emblemáticos foram descobertos em São Paulo, e somam desvios de recursos da ordem de R$ 1 bilhão.
O episódio Alstom/Siemens, sobre um suposto direcionamento de licitações e cartel no metrô, foram apurados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Já a fraude relacionada a ex-funcionários da Prefeitura de São Paulo acusados de negociar certidões de quitação de Imposto Sobre Serviço (ISS), apurado pelo MP, comprovou um rombo de R$ 200 milhões. Mas a estimativa é que o valor chegue R$ 500 milhões.

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