O Brasil fez mais de 11 milhões de testes de Covid-19 desde o início da pandemia, mas quase 40% deles são do tipo RT-PCR – capaz de identificar o material genético do vírus ativo no corpo humano –, segundo as Secretarias Estaduais de Saúde.

Especialistas alertam que a testagem no país não é eficaz uma vez que no Brasil se faz mais testes sorológicos – que revelam quem já teve o vírus – do que exames RT-PCR. É só a partir desse segundo tipo que é possível identificar as infecções e rastrear contatos.

O Ministério da Saúde separa os testes para o novo coronavírus em duas categorias: RT-PCR e sorológicos.

  • O RT-PCR é o que analisa uma amostra do material genético coletado na narina e garganta do paciente para detectar a presença ou não do vírus ativo no organismo dela. Para isso é necessária uma máquina específica de laboratório, e por isso ele leva mais tempo para ser processado.
  • Já na categoria de testes sorológicos existem vários tipos de testes, com metodologias distintas e que podem ou não ser feitos fora dos laboratórios.

A pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Tatiane Moraes, explicou que ao se fazer testes sorológicos, “estamos olhando para o passado”. Ela explica que ele não é indicado para controlar a pandemia e serve como um registro de quem já se infectou.

“Pode ser há um mês atrás, há duas semanas atrás, a gente não sabe”, disse Moraes. “A gente não vê, a gente não identifica uma política de testagem. Quando a gente fala de política de testagem – é qual é a prioridade de teste. O tipo de teste e qual a prioridade por grupo que deve ser testado.”

Alta positividade

A taxa de positividade – que compara o número de resultados positivos para o vírus em relação aos testes realizados no país – dos exames de Covid-19 segue alta no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, ela está em 32,6%. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que este número não passe dos 5%.

Para o doutor em microbiologia, Atila Iamarino, não aumentar a capacidade do país em ampliar o número de testes do tipo RT-PCR no Brasil é um erro. Segundo ele, há uma maior oferta de novos testes que identificam o vírus ativo, mais baratos e eficientes que os aplicados no país.

“Apesar do aumento do volume de testes total grande parte dos novos testes que o Brasil tem feito nos últimos meses são imunológicos”, disse Iamarino.

“Os testes de laboratório seguem numa quantidade constante desde mais ou menos o meio do final do mês de maio. Esse número precisa aumentar se a gente quer seguir para uma reabertura consciente e controlando a situação daqui pra frente”, disse Iamarino.

Testes por estado

O levantamento apresentou também como é a distribuição dos dois tipos de testes no país, por estado. São Paulo aparece no topo da lista e, de março até agosto foram feitos 3 milhões de testes. No estado, 61% dos exames foram do tipo RT-PCR, menos de 30% foram realizados na rede pública.O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse que rastrear casos de coronavírus no Brasil com testes RT-PCR “não é uma medida cabível” no Brasil. Segundo ele, a medida é eficaz em países com menor população.

“Nós temos que fazer inquéritos sorológicos para entendermos a dinâmica da epidemia e identificarmos através daqueles indivíduos com RT-PCR apenas aqueles que sejam sintomáticos mesmo que leves”, disse Gorinchteyn.

Fonte: G1

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