A Prefeitura de Divinópolis informou nessa quinta-feira (10) que fará uma auditoria do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), empresa que administra a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto. A ação é resultado de uma denúncia oficializada pela Comissão de Saúde da Câmara, sobre a falta de medicamentos para sedação de pacientes com Covid-19 no Hospital de Campanha.

A auditoria foi solicitada pela integrante da Comissão de Saúde, a vereadora Lohanna França (CDN). “Diante de tudo que averiguamos pedi essa auditoria e o prefeito prontamente acatou”, disse.

Na apuração, todo o processo de gestão e administração serão avaliados, mas principalmente serão averiguados os gastos com os medicamentos usados para sedação e as notas fiscais.

Ao falar sobre a abertura de auditoria que foi discutida em reuniões nessa quinta-feira (10), o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) declarou a possibilidade de trocar a administração da UPA diante do que for averiguado.

Entenda o caso

Uma denúncia feita por funcionários da UPA informou sobre a falta de medicamentos e bombas de infusão para pacientes. A denúncia foi oficializada pela Comissão de Saúde e a Vigilância em Saúde ao tomar conhecimento, solicitou que a empresa que administra a UPA enviasse um relatório de capacidade de atendimento com o prazo de 24 horas, que terminou na noite de terça-feira (8). O documento não foi enviado até o momento.

Sem resposta, a Vigilância em Saúde, representada pela a gerente da Vigilância Sanitária, Érika Camargo Ferreira, o prefeito Gleidson Azevedo e a integrante da Comissão de Saúde, vereadora Lohanna França, estiveram na noite de quarta (9) na UPA para tentar falar com a gestão. No entanto, apenas o corpo clínico estava presente no momento. A equipe permaneceu na unidade até as 23h30.

Os diretores clínicos da unidade disseram que não faltaram medicamentos para os pacientes e que eles são solicitados a todo momento assim como ocorre em todo cenário nacional.

Diante do impasse foi feita uma intimação por parte do Executivo para que a UPA não realize internações de pacientes com Covid-19, no prazo de 12 horas.

Um auto de infração também foi emitido pelo descumprimento do prazo de 24 horas, para apresentação do relatório sobre a real capacidade de atendimento da UPA.

Visita

A visita foi filmada pelo prefeito e divulgada nas redes sociais. “Não vamos colocar panos quentes não. É uma empresa terceirizada. A Prefeitura paga para ela. Os responsáveis vão pagar caro por isso”, afirmou Gleidson.

De acordo com a gerente da Vigilância Sanitária, o auto de infração foi emitido por não terem cumprido a intimação de apresentar o relatório no prazo em 24 horas e feita outra intimação para que, em 12 horas, não recebessem pacientes para internação na UTI e coloquem no SUS Fácil para serem encaminhados para outro hospital.

“A UPA continua atendendo, mas enquanto não regularizar a situação, não poderá receber pacientes para internação”, explicou.

De acordo com a Vigilância Sanitária, uma denúncia feita pelos funcionários da unidade e averiguada pela Comissão de Saúde do município, informou que faltam medicações para o tratamento de pacientes intubados.

“Isso é muito sério. O paciente tem que receber a quantidade de oxigênio de acordo com o dano pulmonar dele, se não, pode até causar lesão. É uma questão de erro de maquinário, isso é inaceitável. Um caos completo que, na minha opinião, é caso de polícia”, afirmou Lohanna.

O outro lado

No vídeo feito pelo Prefeito, os diretores clínicos da UPA, Wendel Costa e Rodolfo Monteiro Barbosa, falaram sobre a situação do local.

“A medicação é solicitada a todo tempo, diariamente. Mas infelizmente é uma demanda nacional. E além da demanda, uma ampola que antes custava R$ 7,90 hoje custa R$ 190, então é toda uma questão”, explica Wendel.

O também diretor clinico, Rodolfo Barbosa, afirmou que em momento algum os pacientes em tratamento da Covid-19 chegaram a ficar sem medicação, conforme relata a denúncia apurada pela Prefeitura.

“Houve falta de medicação, houve estados críticos, mas nenhum paciente chegou a ficar sem o medicamento. Sedativos não faltaram em momento algum também. As bombas de infusão estão parcialmente regulares”, ressaltou.

Os profissionais ressaltaram ainda que este corpo clínico está a frente da UPA há cerca de três meses. E quando assumiram o cargo se dispuseram a entender o que faltava na unidade para correr atrás junto a empresa responsável pela gestão da UPA.

Fonte: G1

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