Passados seis meses desde o início da vacinação contra a Covid-19 em Minas Gerais, cerca de 7,6 milhões de mineiros acima dos 18 anos de idade (46,6%) ainda não receberam nem a primeira dose, e 13,2 milhões (80,4%) não estão completamente imunizados, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A promessa do governo de Minas é que toda a população adulta seja alcançada com pelo menos uma dose até setembro, mas a distribuição para as próximas faixas etárias será mais desafiadora a partir de agora.

De acordo com as estimativas mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Ministério da Saúde, os mineiros na casa dos 30 aos 39 anos de idade compõem a camada mais populosa do Estado. Os próximos grupos a serem vacinados, de entre 35 e 39 anos (1,69 milhão de pessoas) e dos 30 aos 34 (1,71 milhão) representam, cada um, mais do que o dobro na comparação com a faixa dos 65 aos 69 anos, sendo este o maior conjunto de pessoas já imunizadas com as duas doses da vacina em números absolutos.

Na sequência da “fila”, o Estado ainda reúne 1,7 milhão de residentes com entre 25 e 29 anos de idade e mais 1,69 milhão na faixa dos 20 aos 24. “Demorar a vacinar os mais jovens significa uma janela de oportunidade para uma nova variante. As pessoas mais jovens circulam mais, não respeitam tanto as medidas de restrição e têm menos cuidados”, alerta o infectologista Adelino de Melo Freire.

Até o momento, de acordo com a secretaria estadual, 53,4% da população maior de 18 anos em Minas Gerais, ou 8.753.412 pessoas, receberam a proteção parcial contra o novo coronavírus. E o total de imunizados com duas doses ou dose única é de 3.211.340 mineiros, ou 19,6% dos adultos. Considerando-se a parcela abaixo dos 65 anos de idade, porém, apenas 6,7% da população mineira já completou o esquema vacinal.

“Os países que já estão com grande taxa da contaminação da [variante] Delta estão com uma grande parte da sua população vacinada. Por isso, eles têm um aumento de casos, mas não de mortes. O mesmo pode não acontecer em países com menor cobertura vacinal, como o Brasil”, completa Freire. 

O estudante Rafael Junqueira tem 18 anos e sabe que tem muita gente ainda na fila da vacinação antes de chegar a sua vez. “Fico sem perspectiva. É difícil fazer plano de vestibular, tirar a carteira, conseguir um estágio. Sinto que meu tempo está perdido”, desabafa o jovem.

“O ideal seria que todas as pessoas já estivessem vacinadas, mas foi preciso fazer escolhas pensando na saúde coletiva. A população de 20 a 40 anos costuma desenvolver formas mais leves e assintomáticas, embora se exponha mais e por isso também transmita mais”, destaca o médico infectologista Guilherme Lima.

Fonte: O Tempo Online

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