A criação de porcos em perímetro urbano em nosso município é um problema sério e que já foi tratado anteriormente nas páginas do Nova Imprensa. Porém, por enquanto parece ser um problema ainda distante de uma solução efetiva. Alguns moradores do bairro Água Vermelha convivem há mais de ano com essa situação, que chegou a um ponto praticamente intolerável.
Segundo a balconista Cleidemar Barbosa, que reside e tem um estabelecimento à Rua Cristóvão Colombo, tanto o mau cheiro quanto a proliferação de moscas estão causando problemas sérios, inclusive de saúde, entre moradores da área. ?Por mais de um ano eu tenho feito denúncias relativas a isso tanto na Secretaria de Saúde (Vigilância Sanitária) quanto na Secretaria de Meio Ambiente e nada de concreto é feito. Eles vêm, não adentram as residências onde existem essas criações e dão uma advertência pra pessoa. Aí a pessoa tira as criações por um mês, até a vistoria da Vigilância voltar e então retomam as atividades normalmente!?, esclarece Cleidemar, indignada.
A balconista também comenta que, durante o período da tarde, com o aumento da temperatura, o odor que vem das criações é insuportável. ?Mal dá pra respirar ou mesmo se alimentar, devido ao mau cheiro! E parece que denunciar não adianta nada!?, frisa Barbosa.
Na mesma rua, os problemas vão além do mau cheiro. O morador José Pires Viana teve um problema sério de saúde com sua mãe. ?Minha mãe é idosa e está acamada há dois anos. Cerca de dois meses atrás, ao preparar a higiene dela, reparei que havia um caroço em seu braço. Ao chamar os atendentes do posto de saúde aqui do bairro, eles constataram que o caroço estava repleto de larvas de mosca e que elas haviam se espalhado por todo o braço. Tive que encaminhar minha mãe ao Pronto Atendimento, porque o posto daqui não tinha condições nem o material necessário para retirar tantas larvas?, esclarece Viana, que completa: ?Essas moscas não vêm da falta de higiene da minha casa, que eu mantenho muito limpa, principalmente devido à condição de minha mãe. Elas só podem estar vindo dessas criações mal gerenciadas e que acabam trazendo problemas sérios para a nossa região?, encerra.
Nossa redação entrou em contato com a veterinária e chefe da Vigilância Sanitária em Formiga, Fernanda Pinheiro Lima, que esclareceu sobre a situação. ?Infelizmente, devido à falta de um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) em nosso município, não é possível ainda fazermos algo realmente efetivo. Sabemos da gravidade do problema, mas de fato não temos ainda para onde encaminhar esses animais criados em perímetro urbano. O que está dentro de nossa capacidade, nós fazemos sempre, porém não temos poder para multar as pessoas, somente a polícia, depois da devida investigação, pode fazer isso?, explicou Lima.
A veterinária também comenta que está previsto para os próximos quatro anos a construção de um CCZ em Formiga, mas lembra que muito deve partir da consciência de cada morador. ?Cada um deve fazer sua parte para tornar a convivência possível e para que problemas como esse sejam resolvidos da melhor forma possível. E em casos extremos, o ideal é mesmo recorrer à polícia ou a outros órgãos. Se as denúncias já tiverem sido feitas aqui na Vigilância Sanitária, nós forneceremos todo o material necessário para que as providências cabíveis sejam tomadas?, encerra.

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