Se o seu filho não tem um bom par de óculos escuros, atenção! A exposição ao sol não faz mal só aos olhos dos adultos. Crianças também podem sofrer os efeitos da radiação. Sem falar que a proteção desde cedo, inclusive, ajuda a prevenir doenças oculares, alertam especialistas.

Apesar dos benefícios, o acessório, porém, é ignorado por boa parte dos brasileiros. Pesquisa do Instituto Penido Burnier, especializado em olhos há quase cem anos, mostrou que apenas 45% das pessoas de 25 a 65 anos recorrem à proteção, o que pode refletir no comportamento dos menores de idade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que os olhos devem ser protegidos sempre que a radiação ultrapassar o nível seis, considerado alto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Para se ter uma ideia, em Belo Horizonte, na última sexta-feira, o índice chegou a 13, o que já indica risco extremo de dano à saúde.

Se há perigo para os adultos, a situação é ainda pior para as crianças. Para Márcia Beatriz Tartarella, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, o ideal é evitar a exposição de meninos e meninas ao sol. 

Porém, se ocorrer, o cuidado é indispensável. “Os óculos escuros devem ser usados em qualquer idade, principalmente na fase de desenvolvimento, se houver exposição excessiva ao sol. Além disso, recomendamos o uso de chapéus e viseiras, que tampam os raios solares e são mais fáceis de as crianças usarem”, frisa a especialista.

Tempo

Crianças a partir dos 2 anos já podem utilizar o acessório. Mas a confeiteira Marina Henriques Menezes, de 23, nem esperou o filho, Théo Henriques Martins, completar a idade para cuidar dos olhos dele.

Por ter tido trombose ocular, há seis anos, a jovem priorizou o uso de óculos de sol no menino, hoje com 1 ano e três meses. “Sempre que estamos fora de casa, na área externa, ele está usando. Às vezes, ele tira, mas insisto, pois sei que é muito importante. É bom para evitar problemas lá na frente”, diz.

Riscos

“Quanto mais cedo se proteger, menos riscos”, reforça a diretora da Fundação Hilton Rocha, Ariadna Muniz. Segundo a oftalmologista, a negligência aos olhos provoca doenças, que não aparecem de imediato, mas que podem ser prevenidas. Muitas das enfermidades irão se manifestar apenas quando a pessoa atingir a fase adulta.

Dentre os males oculares provocados pela exposição solar sem proteção destacam-se a aceleração da catarata, a ceratite (espécie de insolação ocular) e pterígio, em que ocorre a degeneração da parte central da retina. 

“A catarata só é curável com cirurgia. O pterígio e a ceratite são causados pelo ressecamento provocado pela radiação UV. Por isso, também é importante usar óculos para mergulho e utilizar lubrificantes”, explica Ariadna Muniz.

Óculos “piratas”

Deixar de checar a procedência dos óculos escuros é um péssimo negócio para a saúde, alertam os médicos. Mesmo assim, levantamento da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica) aponta que quatro em cada dez pessoas optam por acessórios falsificados, que possuem apenas a tonalidade e não a película que protege os olhos.

Nesses casos, a manifestação de doenças pode ocorrer ainda mais rápido. “Se os óculos não forem originais, o efeito causado é o oposto: intensifica a ação dos raios ultravioletas na visão em vez de amenizar, prejudicando a córnea de forma acelerada”, explica o oftalmologista Sebastião Sobrinho, professor da Faculdade de Medicina da UFMG.

O comprador precisa observar a certificação do produto. De acordo com a ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, Márcia Beatriz Tartarella, “marcas mais sérias” têm selo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Não é obrigatório, mas indica qualidade”, frisa.

Além disso, é preciso prezar a compra além do design. Sebastião Sobrinho diz para observar se há possíveis distorções no reflexo da luz vista do acessório. “Na ótica se coloca os óculos contra a lâmpada fluorescente, e a imagem fica regular em toda a superfície”.

Quem usa óculos de grau e não quer trocar o acessório por um de lentes escuras tem alternativas. “É possível colocar a película de proteção contra os raios UV na lente”, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz, do Instituto Penido Burnier. 

Ainda segundo ele, armações maiores protegem a pele ao redor dos olhos, evitando manchas e câncer nas pálpebras. Os modelos fechados nas laterais também impedem a passagem dos raios. Bonés, viseiras, chapéus e barracas devem auxiliar a proteção.

Todos esses cuidados Frida Koenig, de 48 anos, leva em conta na hora de escolher os óculos para o filho Tiago Koenig Paiva, de 12. O garoto usa o acessório desde os 3. “Ele brincava de usar o meu e comprei um para ele”, conta a mãe.

Na hora de adquirir o primeiro par, ela optou por modelos infantis. “Tiago não teve problema de adaptação”.

 

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Hoje em Dia