A maior preocupação dos economistas de plantão em Brasília, já há anos, é sem dúvida o controle da inflação. Estima-se para 2018 um percentual de 3,5%, o que seria muito bom se esse índice orientasse outros parâmetros da economia para, assim, a vida do brasileiro ser mais bem vivida. Mas não é o que se nota. O desemprego, que afeta diretamente o cotidiano do cidadão, está estabilizado e não demonstra mudanças, gerando um quadro de desespero, humilhação e miséria. Se os preços de produtos básicos presentes na vida dessa mesma faixa da sociedade apresentam alguma estabilidade, esta está muito mais relacionada à incapacidade de compra do que a outros fatores, tais como redução dos custos de produção, diminuição da tributação ou eventual aumento da oferta por maior produtividade. A exceção continua a ser o agronegócio, cujos resultados mascaram o desastroso desempenho de outros segmentos da economia.
Paralelamente a esse cenário crítico, que já se estende de forma insuportável há anos, os bancos comemoram lucros estratosféricos, alcançados pela agiotagem combinada e resultante da ação cartelizante que instalaram no comando da política de créditos cinco grandes organizações, que se deliciam com a cumplicidade de um Banco Central visivelmente controlado pelos interesses desse mesmo grupo.
Bancos são no Brasil, independentemente do cenário político e social instaurado, faça sol ou faça chuva, as únicas instituições que vivem em festa sem qualquer restrição, que contam com a proteção de um conjunto de leis paridas para regular o crédito, sempre defendendo seus ganhos imorais. Nunca perdem. Ganham com a transferência de seus serviços aos clientes, boa parte deles operada na internet, nos terminais eletrônicos ou em maquininhas instaladas até nos bordéis. Ganham com a automação, a serviço especialmente da redução da mão de obra para o eventual atendimento de seu cliente. Ganham com taxas cobradas por tudo, sutilmente presentes de forma disfarçada ou quase imperceptível nos extratos, que os correntistas pagam sem ver. Ganham com juros criminosamente cobrados, chegando a 15% ao mês, 400% ao ano, quando aplicados em operações de cheque especial ou cartões de crédito.
Tudo isso apesar de o Banco Central reunir o Copom e orgulhosamente dizer ao mercado que a taxa Selic tem perspectiva de ser ainda mais reduzida e que deverá neste mês chegar a 6,25% ao ano. Mas o que é isso? Que representa esse esforço, o de discutir a redução de tal taxa, se os bancos, até mesmo os oficiais – Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal e BNDES –, comemoram o crescimento de seus lucros em 202,6%, como ocorreu com a Caixa, privilegiada pelo controle e depósito do FGTS, além de ser senhora das contas sempre bem irrigadas da União, dos Estados e municípios, de suas folhas de pagamento e, mesmo assim, responsável pela prática de escandalosa agiotagem, que não perdoa sequer os empréstimos consignados? Sim, os consignados, cuja operação concede aos bancos credores a garantia de desconto das parcelas de liquidação dos empréstimos direto no salário do contraente.
Boa hora esta para ouvirmos dos candidatos das próximas eleições que proposta eles têm para enfrentar a agiotagem dos bancos públicos e privados e destes colhermos compromissos para o combate de tal descalabro, alimentando histórica desonestidade.

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