A crise administrativo-financeira, que assola a Santa Casa de Caridade há meses, provocou uma série de medidas administrativas e judiciais e, evidentemente, exige ação rápida dos envolvidos em especial dos governos municipal, estadual e federal, na busca de aporte de recursos que permitam, ao menos, manter a prestação de serviços indispensáveis, prestados a mais de 200 mil ?potenciais clientes?, na sua grande maioria, atendidos pelo SUS.
Esta semana, apesar dos esforços do Ministério Público, da Comissão Interventora, de algumas autoridades políticas e de lideranças dispostas a encontrar solução para o grave problema, pela demora de atendimento de alguns pleitos legítimos (recebimento de valores em atraso do Estado e do município), alguns destes vencidos há mais de ano, a notícia que se tem é a de que as Unidades de Terapia Intensiva, UTI?s adulto e neonatal, não recebem novos pacientes, a caminho da paralisação total da prestação destes serviços.
Paralisação das UTI?s e suspensão de internações de alto risco na Maternidade
Na Maternidade, segundo informações do médico Carlos Eduardo Senne de Morais, delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM-MG), apenas gestantes cujo pré-natal não apresentou condições para partos de risco, estão sendo atendidas naquela unidade. Casos que exigem maiores cuidados, gestação de alto risco, partos prematuros, gestações múltiplas e outras em que a necessidade de suporte das UTI?s seja provável, por uma questão de segurança dos próprios pacientes (gestantes e nascituros), estão sendo encaminhados para outros centros, ainda que distantes de Formiga.
Segundo Carlos Eduardo, na Santa Casa, a falta de medicamentos e de insumos necessários ao perfeito funcionamento de equipamentos normalmente utilizados também é causa da não internação.
A falta de pagamento, há meses, de médicos gerou parte do problema, pois, segundo informa o representante do CRM-MG, não há como uma Maternidade funcionar dentro dos parâmetros exigidos, sem a presença (referindo-se a plantões presenciais) de uma série de especialistas. ?Ao que se sabe, a prática comum na região é a adoção de atendimento médico em sobreaviso, o que, além de irregular, coloca em risco a vida de gestantes e de nascituros, com o quê não podemos concordar?, disse o médico.

No campo administrativo
Nos dias 17 e 24 de março, em virtude da convocação feita pela 3ª Promotoria de Justiça de Formiga, os Irmãos Benfeitores se reuniram com o Promotor de Justiça Láurence Albergaria de Oliveira e a Comissão Interventora na sede da Santa Casa de Caridade de Formiga.
O Promotor de Justiça, apoiado pela Comissão Interventora, deu ciência de todas as dívidas e dos atuais problemas da entidade; conclamando os presentes a se reunirem e discutirem o futuro da entidade.
Diversas soluções foram sugeridas e os próprios Irmãos Benfeitores já começaram a se organizar de forma a se inteirarem melhor do assunto e proporem soluções para a retomada integral dos serviços da entidade.
O Promotor de Justiça e a Comissão se comprometeram a detalhar ainda mais as dívidas, contratos e obrigações da entidade. Na ocasião, foi colhido o endereço de e-mail dos presentes para envio de cópia digitalizada de documentos, contratos, extratos, entre outros, o que deve ocorrer até esta sexta-feira (27).
A Comissão Interventora informou que já apresentou à Justiça, relatório detalhado dos 90 dias de trabalho, acompanhado de farta documentação (autos TJMG nº 0160647-37.2014.8.13.0261).
Para quinta-feira (26), houve marcação para a nova Assembleia Geral Extraordinária, também convocada pelo Ministério Público, cuja pauta foi a destituição da Mesa Administrativa, atualmente afastada por força de decisão judicial.
O local da reunião, antes marcada para a sede da entidade, foi alterado para o salão do Colégio Corujinha.
A situação financeira crítica da entidade impede a aquisição de medicamentos e outros insumos médicos, problemas que, se não solucionados de imediato, acarretarão a paralisação da prestação de serviços.

Correndo atrás! (do dinheiro):
O prefeito Moacir Ribeiro, em companhia da vereadora Rosimeire Mendonça e dos vereadores José Aparecido Monteiro (Zezinho Gaiola), Juarez Carvalho, Evandro Donizeth da Cunha (Piruca) e Josino Bernardes, além do ouvidor municipal, Erasmo Spíndola, ciceroneados pelo formiguense Sheldon Almeida, (Chefe da Assessoria Jurídica da Secretaria Geral da Governadoria do Estado), tinham marcada para as 16h de quinta-feira (26), audiência com o vice-governador Antônio Andrade, na qual solicitariam o apressamento das providências já combinadas anteriormente e ainda não cumpridas pelo Estado, provavelmente por impedimentos burocráticos. Às 19h30, de quinta-feira (26), chegou ao jornal a informação de que o Estado começa a quitar seu débito.

Em busca de parcerias
Para esta sexta-feira (27), estava marcada uma reunião entre prefeitos de diversas cidades da região, que dependem diretamente dos serviços da Santa Casa, para que, juntamente com a Comissão Interventora, cheguem a um consenso que lhes permitam através de convênios, viabilizar o aporte mensal de recursos para um rateio de custos operacionais dentre todos eles, já que, a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) é irrisória e se depender dela, os atendimentos terão mesmo que ser suspensos.
A Prefeitura de Formiga, através da Secretaria de Educação cedeu o auditório do Cemap para o encontro dos prefeitos, marcado para ás 10h.

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