Dou-lhe uma, duas, três vezes seguidas correndo atrás do placar. Adicione prorrogação e terá o resumo do duro caminho que percorreu a Croácia até a final da Copa do Mundo da Rússia. O “patinho feito” entre as equipes semifinalistas fez uma campanha de reviravoltas nos mata-matas do Mundial, começando atrás no marcador no tempo regulamentar contra Dinamarca, nas oitavas, e diante da Rússia, nas quartas.

Foi a vez de a Inglaterra provar a força de resistência que Modric, Perisic, Mandzukic  e companhia mostraram ter. Com 1 a 1 no tempo normal, foram em busca da vitória no tempo extra e garantiram a vaga inédita na maior competição do futebol.

E olha que, no início da partida, o roteiro parecia estar escrito para que a Inglaterra buscasse o bicampeonato no domingo (15). Com oito gols de bola parada até o início da disputa da semifinal, a equipe britânica não poderia imaginar um início melhor. Aos 3 min, Lingard acionou Dele Alli, que buscou o drible e foi derrubado na entrada da área por Modric. E a tradicional arma inglesa na bola parada foi disparada. O gol saiu em uma bela cobrança de falta de Trippier, por cima da barreira, que deixou Subasic sem reação.

Eram apenas 5 minutos do primeiro tempo e a contagem estava aberta: 1 a 0 para a Inglaterra. À frente no placar, o time da terra da Rainha tinha tudo que queria. O domínio do jogo, o contra-ataque para apostar e a velocidade de Sterling para receber os lançamentos em profundidade pelo lado direito. A Croácia resistia principalmente com os lances nascidos dos pés de Modric e viu seu futebol crescer na reta final do primeiro tempo.

Na segunda etapa, cabia, mais uma vez à Croácia nesta Copa, mudar o rumo da partida. Mas depois de duas classificações em que os croatas tiveram que passar pela prorrogação e pelos pênaltis, contra Dinamarca e Rússia, a Inglaterra continuava se impondo fisicamente. Sobrava perna para um lado e faltava do outro.  Somente aos 19 min, a Croácia chegou com perigo. Perisic ficou com a sobra, após jogada da direita, e chutou forte da entrada da área em cima do zagueiro Walker.

A Inglaterra teve no lance seguinte a chance de matar o jogo. Não matou, e a bola pune, diriam os sábios do futebol. Tanto que, aos 21 min, após cruzamento de Vrsaljko pela direita, Perisic se antecipou a dois marcadores ingleses e, como num golpe de caratê, esticou o pé acima da cabeça de Walker. Gol da Croácia. Tínhamos um jogo na arena Luzhniki, em São Petersburgo.

Era de se esperar que os jogadores do país da Ex-Iugoslávia marcassem pelo menos um gol para levar a partida para a prorrogação: nos últimos dez jogos que participou em Copas do Mundo, os croatas deixaram sua marca.

Daí em diante dava quase para ouvir os ingleses implorando “God, save the Queen”. A Croácia abafava, criava situações de gol e os britânicos pareciam se entregar no psicológico.

Aos 37 min, chance clara de virada para a Croácia com Mandzukic, que recebeu a bola por cima dos zagueiros, emendou um belo chute no alto e obrigou Pickford a fazer grande defesa. O pânico dominou os ingleses e foram os croatas quem passaram com moral para a prorrogação. A esta altura já pegava fogo a torcida da camisa xadrez.

Contrariando o que se esperava, a Inglaterra tomou a atitude em busca do gol e teve duas chances claras de definir a partida ainda na prorrogação, uma com Dier e outra com Stones. Mandzukic teve a chance de responder pelo lado croata, mas chutou para fora diante do goleiro Pickford. Mas a chance seguinte, o centroavante da Juventus não perdoou.

Após a zaga inglesa afastar de qualquer jeito ium cruzamento da esquerda, Persisic  cabeceou a sobra para dentro da área, pegou os defensores ingleses de surpresa e deixou o camisa 17 cara a cara com o arqueiro inglês. Chute cruzado e é rede!  Foi questão de tempo para que a seleção dos corações ardentes pudesse comemorar mais uma virada neste Mundial e chance de disputar com a França, no domingo, a taça mais desejada do mundo.

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Fonte:

Super FC - O Tempo