Mais de 11% das ligações recebidas pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste para Gerenciamento dos Serviços de Urgência e Emergência (CIS-URG), responsável pela administração do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Centro-Oeste de Minas, foram trotes.

Os dados são de um levantamento de atendimento do próprio Samu e foram enviados ao G1 a pedido da reportagem.

Segundo o levantamento, a central de atendimentos do consórcio recebeu 238.044 ligações em todo o ano de 2018. Destas ligações, 26.401, 11,09% do total de ligações, foram consideradas trotes.

Ao G1, o técnico auxiliar de Regulamentação Médica do Samu, Bruno Henrique, afirmou que os trotes atrapalham muito, pois ocupam a linha emergencial. Segundo ele, atendimentos reais já foram questionados devido ao alto número de trotes recebidos de um determinado número.

“Temos uma dificuldade maior com crianças. Os pais realmente precisam estar policiando os filhos. Já aconteceu casos de a pessoa ligar e realmente ser um atendimento e a gente, infelizmente, ter que ficar questionando demais porque já tinham 70 números registrados naquele mesmo número”, relatou.
Em outros casos, segundo o técnico, o trote é tão minucioso que a equipe só percebe o falso acionamento ao chegar no local indicado. Além de comprometer outros atendimentos, o trote também gera custos ao consórcio.

“Às vezes é em um local conhecido, em um endereço que existe, e uma situação que é comum para nós. E a viatura vai, chega no local e vê a cena [de trote]. Atrapalha muito, tanto para nós que ficamos dentro da regulação quanto pro pessoal que trabalha na rua com o apoio. Cada viatura tem sua média de custo para sua saída, mesmo que ela não gere o atendimento. Então ela gera um gasto para o consórcio em si e impede um outro tipo de atendimento que precisa da intervenção médica do Samu”, afirmou.

Os dados também revelam que a maior parte dos atendimentos feitos por telefone pelo Samu, 43,62%, foram compostas por orientações não médicas. Das 238.044 ligações recebidas pela central, 103.838 resultaram no atendimento que, conforme Bruno, se consistem em dois tipos de situação.

“Temos aquelas orientações não médicas que ocorrem de ligações de pessoas que procuram informações sobre números de telefone de outros tipos de serviço, de hospitais, clínicas, UPAs, até mesmo Cemig, Copasa, Defesa Civil. E temos, também, a orientação não médica caso a pessoa ligue solicitando atendimento e a gente vai passar a ligação para os médicos reguladores fazerem o auxílio via telefone, enquanto a viatura não chega na residência, mas às vezes temos uma demanda muito grande de ocorrências e os médicos estão todos em linha, ocupados. Caso seja uma crise convulsiva, acabamos orientando as pessoas a segurarem a cabeça da vítima, evitar que ela se machuque, tentar evitar um dano posterior para quem está tentando ajudar quem está na via e a própria pessoa também”, informou.

Sobre os atendimentos que consistem em orientação não médica e solicitações de outro tipo de serviços, Bruno orienta que a população procure outros meios para que as linhas de emergência não fiquem ocupadas. “Que sempre tenham um catálogo telefônico em casa, ou até mesmo um serviço disponível, que é o 102”, concluiu.

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Fonte:

G1