Vladimir Herzog foi torturado e assassinado em 1975 e ele foi um símbolo da luta e da oposição ao regime militar.

A violência urbana e rural ceifa vidas diariamente no Brasil, torna as residências verdadeiras prisões com grades e aumenta o faturamento da indústria da segurança por conta de políticas públicas de segurança ineficazes; presenciamos todo dia morrerem cidadãos brasileiros, as pessoas com medo de transitar na rua com objetos de valor (celular, relógio, notebook, corrente de ouro, etc.), roubos de carros, furtos de residências, estupros, sequestros, estouros de agências bancárias, vítimas de balas perdidas, etc. Em sua forma mais sofisticada, vemos o crime estar cada vez mais organizado, seja o tráfico de drogas, roubo de cargas, falsificação de produtos, corrupção, receptação de produtos, contrabando, etc.

As políticas públicas de segurança têm sido ineficientes para diminuir os índices de criminalidade e mesmo para enfrentar o crime organizado.

A luta contra o regime militar teve a morte de Vladimir Herzog como um símbolo da oposição e do combate aos arbítrios ocorridos. Os cidadãos na época ficaram horrorizados e lutaram contra os abusos do governo militar, sensibilizados com os sofrimentos de Vladimir Herzog e, em seu nome, defendiam todas as demais pessoas e famílias indefesas.

Atualmente, não vemos uma união nacional contra o fato da onda de violência ter tomado conta do país. É o espírito de luta e de indignação, vivido na época da morte de Vladimir Herzog, que precisa arder e impregnar todos os cidadãos brasileiros a cada morte causada pela violência.

A imprensa, por exemplo, traz informativos diários da violência, com a maior naturalidade, como se isso fosse uma realidade a se perpetuar no tempo, sem a mínima possibilidade de mudança.

Não podemos em hipótese alguma aceitar como natural a violência, pois o cerne da existência da sociedade é a coexistência sob normas rígidas de convivência e de ajuda mútua.

É preciso o Estado adotar tolerância “zero” contra os atos criminosos, combatendo todas as ocorrências consideradas inaceitáveis pela sociedade, não apenas os crimes hediondos, mas também condutas menores.

O pai no exercício da educação do filho, sendo zeloso e cuidadoso, não aceita o filho aparecer em casa com objetos ganhos ou mesmo achados, pois sabe que se aceitar, o filho aparecerá cada dia com mais objetos e no futuro não terá como controlá-lo quando fizer possíveis grandes furtos ou roubos. Como diz o ditado “é de pequeno que se torce o pepino”, e é por isto que filhos de pais zelosos e cuidadosos, que não aceitam pequenos delitos, crescem e se tornam cidadãos honestos e probos.

Ao contrário, existe pai negligente na criação do filho, que presencia o filho aparecer com objetos trazidos da rua, sabe-se lá como, mas não coíbe estas ações. O futuro deste filho, por conta de não ter sido coibido suas pequenas ações delituosas, é ser um cidadão cometedor de crimes cada vez maiores na sociedade.

O Estado, por sua vez, age com os cidadãos como o pai negligente, deixa os cidadãos cometerem pequenos crimes, justificando ter priorizado o combate aos grandes delitos. Assim, o cidadão que comete pequenos delitos, no futuro participará de organizações criminosas ou mesmo cometerá individualmente crimes.

Precisamos do espírito de indignação contra a violência, a nos revoltar contra esta situação, e assim impregnar os movimentos sociais e lideranças para colocar o combate à violência como uma ardente prioridade nacional.

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