A defesa do deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) encaminhou documento à Justiça Federal em Curitiba pedindo a suspensão do prazo para apresentação das alegações finais no processo que investiga se ele participou de esquema de corrupção na compra de navios-sonda da Petrobras.

Os advogados alegam que o delator Júlio Camargo não cumpriu a promessa de anexar a cópia de um processo de arbitragem aberto por ele contra a empresa Samsung. Segundo a defesa, Júlio Camargo está descumprindo seus deveres como colaborador e este seria um motivo para rescindir o acordo de colaboração fechado.

“Quando ouvido em juízo, afirmou com tranquilidade e convicção que possuía os autos da arbitragem. Intimado para apresentá-lo, o colaborador simplesmente descumpre o prazo judicial e afirma que não possui cópia dos autos, em espantosa contradição com seu depoimento judicial. Há aí motivo para a rescisão da colaboração por descumprimento das obrigações do delator inclusive”, argumentam os advogados.

A defesa explica que o processo trata de uma arbitragem que teria tramitado na Corte de Londres contra a Samsung por causa da negativa de pagamento de duas parcelas do contrato firmado entre Júlio Camargo e a empresa.

Segundo os advogados de Cunha, o documento é importante para a produção da defesa do ex-deputado. Na época dos fatos apurados, a Samsung era a responsável pelo fornecimento dos navios-sonda que estariam no esquema de corrupção, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

“Para a defesa, tal fato somente faz crer que a ação arbitral em comento contém relevantes informações que podem, outra vez, demonstrar o quão mentirosas são as acusações formuladas por Julio Camargo”, ressalta a defesa.

Além do pedido de suspensão do prazo para apresentação das alegações finais, os advogados fazem outros três pedidos caso Júlio Camargo não anexe a cópia do processo: que seja autorizada a busca e apreensão na residência de Júlio; se o processo não for encontrado, que o escritório de advocacia que trabalhou para Júlio no processo apresente as cópias; ou que, em último caso, que a Justiça do Brasil peça assistência ao Reino Unido para conseguir o documento.

Esta não é a primeira vez que a defesa de Cunha questiona documentos no processo. Em outubro de 2018, o então juiz Sérgio Moro negou o pedido de adiamento do interrogatório do ex-deputado. Na ocasião, os advogados alegaram que havia um erro no laudo feito pela Polícia Federal no celular do ex-deputado. Moro não concedeu o adiamento e, durante o interrogatório, Eduardo Cunha negou todas as acusações.

Neste processo, os ex-deputados Eduardo Cunha e Solange Pereira de Almeida são investigados pela suposta participação em um esquema de pagamento de propinas envolvendo a contratação dos navios-sonda Petrobras 10 mil e Vitória 10 mil.

Segundo a denúncia do MPF, a Samsung, responsável pelo fornecimento dos navios-sonda, pagou US$40 milhões para seu ex-consultor Júlio Camargo, apontado como um dos intermediários da propina envolvida no esquema. O blog ainda não conseguiu contato com a defesa de Julio Camargo.

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Fonte:

G1