Os assuntos relacionados à saúde em Formiga tem sido prioridade durante as últimas reuniões da Câmara Municipal.
O assunto voltou à pauta de discussões na segunda-feira (17), quando esteve presente para fazer uso da Tribuna do Povo, o delegado do Conselho Regional de Medicina, Dr. Carlos Eduardo Senne de Moraes, que falou dentre outras questões, sobre as razões que tem desestimulado profissionais da área de saúde a trabalharem no Pronto Atendimento Municipal (PAM) e na Santa Casa.
O profissional, que atende em ambas as unidades de saúde, iniciou sua fala elogiando as consideráveis melhorias na estrutura da Santa Casa, com a ampliação do bloco cirúrgico, inauguração das UTIs adulto e infantil, da disponibilização (não credenciada ao SUS) de equipamentos sofisticados para exames, mas ponderou que as melhorias estruturais não foram acompanhadas pelas condições de trabalho e de atenção ao paciente. ?Ao mesmo tempo em que temos um tomógrafo de última geração, faltam lençóis?; disse o médico que estruturou a fala dele em quatro pontos: condições de trabalho; falta de respeito com os profissionais, judicialização da medicina e remuneração.
Condições de Trabalho
?O PAM é uma vergonha! São atendidos cerca de 200 pacientes por dia por apenas um profissional (descumprindo o contrato com a Prefeitura, onde são previstos dois médicos) que às vezes fica de plantão 24 ou até 48 horas. Se fizermos a conta, são sete minutos para ouvir, examinar e medicar o paciente?, disse o médico que completou: ?Houve dias e não faz muito tempo, em que não tinha Novalgina no PAM para um paciente com febre, ou Diasepam caso chegasse alguém em uma crise convulsiva?.
Para Carlos Eduardo, a falta de profissionais capacitados para urgência e emergência aponta para um grande problema, pois é justamente neste setor de atendimento que devem estar os profissionais mais capacitados. ?Já fui chamado no PAM, porque o médico que estava de plantão não sabia dar pontos?.
Além do despreparo dos profissionais, o médico ainda falou da falta de especialistas na Santa Casa para dar continuidade ao atendimento que começa no PAM. Para ele, o hospital tem uma estrutura mil vezes melhor que a do Pronto Atendimento, mas com outros fatores que desestimulam os médicos e demais profissionais da saúde a trabalhar.
Falta de respeito
?Nosso juramento, como todos gostam de citar, diz que nossa função é salvar vidas, mas não diz nada sobre trabalharmos de graça. Temos família para sustentar, dormimos, precisamos descansar. Diante desse caos, fica fácil colocar toda a culpa no médico, e chamá-lo de mercenário, quando ele não pode atender algum caso, ainda que ele não tenha condições mínimas de prestar o serviço?, comentou o médico que afirmou que há profissionais do PAM que estão sendo ameaçados de morte.
Judicialização da medicina
Outro ponto que tem desestimulado a classe médica é a judicialização, que na prática é o encaminhamento para a esfera jurídica de questões relacionadas ao atendimento médico. ?Temos um caso recente de um paciente que não seguiu a recomendação médica, sofreu uma piora no quadro e ainda processou o médico e ganhou o direito à indenização?.
Remuneração
De acordo com o médico, pela primeira vez os pagamentos dos plantões do Pronto Atendimento estão em dia após uma longa luta dos médicos no Ministério Público, que vem de meses atrás. Já na Santa Casa, há procedimentos feitos em fevereiro que ainda não foram pagos até agora, apesar do valor já ter sido liberado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
?Hoje, nem pagando muito bem se encontra profissional para trabalhar em Formiga. Não há credibilidade, não pagam em dia?, disse o médico que garante que os demais profissionais da saúde, como técnicos e enfermeiros também não são respeitados e também não são devidamente remunerados.
Auditoria
Após a sua fala, Carlos Eduardo se dispôs a responder questionamentos feitos pelos vereadores, e ao ser indagado sobre qual seria a solução para tantos problemas foi categórico: ?Apenas uma auditoria nas contas da Santa Casa e da Secretaria de Saúde podem apontar onde está essa lacuna e o que está acontecendo para que a UPA não seja inaugurada apesar de já estar pronta e a Santa Casa passar por tantas melhorias que não alcançam os profissionais?, encerrou.
Nova convocação
Como a auditoria não pode ser feita pelo Legislativo, que deve devolver aos cofres do município os valores que não foram gastos durante o ano, para que a própria Prefeitura contrate a empresa auditora (o que é praticamente improvável), a Comissão de Saúde da Casa, composta pelos vereadores Arnaldo Gontijo (presidente), Mauro César (membro) e Cabo Cunha (relator) decidiu que convocarão mais uma vez a secretária de Saúde, Maria Inês Macedo, o prefeito Moacir Ribeiro e o provedor da Santa Casa, Geraldo Couto para darem explicações na Câmara. Os vereadores não voltaram a falar em convocar a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Rita Salazar por entenderem como ponto passivo de explicações, o fato da mesma trabalhar como ouvidora da Secretaria de Saúde.
A convocação não ocorrerá em data de reunião ordinária e sim na sexta-feira (28), quando o juiz e o promotor responsáveis pela área da saúde serão convidados a estarem presentes.

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