Demissões em MG só perdem para crise de 2009

A estatística preocupa os sindicatos de trabalhadores na indústria e a própria Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

A estatística preocupa os sindicatos de trabalhadores na indústria e a própria Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

A crise de demanda e preços enfrentada pela indústria minerometálurgica e a retração das vendas de automóveis e de máquinas e equipamentos agravaram o desemprego em Minas Gerais neste ano. Com o fraco desempenho desses setores tradicionais da produção fabril do estado, o saldo de 13.833 trabalhadores com carteira assinada demitidos em Minas a mais que os contratados de janeiro a março foi o pior resultado para um primeiro trimestre desde 2009, quando a economia brasileira sentiu o baque da crise financeira mundial. No começo daquele ano marcado pelos efeitos da turbulência internacional, as dispensas superaram as admissões em 18.270 vagas.

O novo baque no mercado de trabalho do Estado só não foi maior porque o setor de serviços criou 5.684 empregos de janeiro a março. Influenciou também o resultado o saldo de 20.024 demitidos no comércio. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, que só admite a comparação dos números ano a ano a partir de 2011, em razão de ajustes feitos no levantamento de dados. A estatística, a despeito disso, preocupa os sindicatos de trabalhadores na indústria e a própria Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

Nas fábricas, o desemprego cresceu em sete regiões de Minas entre as 12 áreas mais industrializadas, de acordo com levantamento feito pela Fiemg. A porção Central de Minas, que abriga boa parte da produção mineral do estado, e o Vale do Aço sofreram mais com as demissões neste ano, seguidos da Zona da Mata mineira, Rio Doce, Norte, Vale do Jequitinhonha e Alto Paranaíba (veja o quadro) Descontadas as contratações na indústria mineral, que tem como carro-chefe o minério de ferro, 1.644 vagas foram eliminadas de janeiro a março. Até 2014 as empresas vinham contratando mais que demitindo. A diferença a favor da geração total de empregos em Minas foi de 38.235 entre janeiro e março do ano passado, embora inferior às 41.326 vagas abertas no estado nos mesmos meses de 2013.

Não há perspectiva de reação, neste ano, da produção da indústria mineira e das contratações do setor, segundo Lincoln Gonçalves Fernandes, presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg. Só uma guinada nos rumos da economia poderia mudar o cenário carregado que a instituição desenha para 2015, de queda de 5,19% no faturamento das empresas. Nunca houve previsão tão pessimista na história dos indicadores da federação, agora pressionados pelo aumento da taxa básica de juros, aquela que remunera os títulos públicos no mercado financeiro e serve de referência para os bancos e o comércio.
?É estranho o governo adotar uma política que só aumenta juros e impostos, o que prejudica o próprio ajuste fiscal e sacrifica toda a sociedade. O Banco Central tem outras ferramentas que poderiam ser usadas, como mexer no compulsório dos bancos e elevar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)?, afirma Lincoln Gonçalves. A geografia das demissões reflete os setores que mais têm perdido dinamismo na produção e nas vendas: a cadeia automotiva, mineração e metalurgia básica e os fabricantes de máquinas e equipamentos.

Uma saída pelas exportações no curto prazo também é descartada. Na avaliação do vice-presidente da Fiemg, a manutenção por longo tempo do real sobrevalorizado frente ao dólar expulsou pequenas empresas do mercado internacional e funcionou como desincentivo à pauta de vendas externas mineiras, muito concentrada nas chamadas commodities, produtos agrícolas e minerais cotados no exterior. ?Graças aos erros da política cambial, perdemos todo o esforço de diversificação que foi feito nos últimos anos. Por mais que se diga agora que o câmbio tornou-se atraente, vai demorar uma recuperação das exportações?, diz Gonçalves.

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Sobre o Autor

André Ribeiro

Designer do portal Últimas Notícias, especializado em ricas experiências de interação para a web. Tecnófilo por natureza e apaixonado por design gráfico. É graduado em Bacharelado em Sistemas de Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Demissões em MG só perdem para crise de 2009

A estatística preocupa os sindicatos de trabalhadores na indústria e a própria Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

A estatística preocupa os sindicatos de trabalhadores na indústria e a própria Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

 

A crise de demanda e preços enfrentada pela indústria minerometálurgica e a retração das vendas de automóveis e de máquinas e equipamentos agravaram o desemprego em Minas Gerais neste ano. Com o fraco desempenho desses setores tradicionais da produção fabril do estado, o saldo de 13.833 trabalhadores com carteira assinada demitidos em Minas a mais que os contratados de janeiro a março foi o pior resultado para um primeiro trimestre desde 2009, quando a economia brasileira sentiu o baque da crise financeira mundial. No começo daquele ano marcado pelos efeitos da turbulência internacional, as dispensas superaram as admissões em 18.270 vagas.

O novo baque no mercado de trabalho do Estado só não foi maior porque o setor de serviços criou 5.684 empregos de janeiro a março. Influenciou também o resultado o saldo de 20.024 demitidos no comércio. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, que só admite a comparação dos números ano a ano a partir de 2011, em razão de ajustes feitos no levantamento de dados. A estatística, a despeito disso, preocupa os sindicatos de trabalhadores na indústria e a própria Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

Nas fábricas, o desemprego cresceu em sete regiões de Minas entre as 12 áreas mais industrializadas, de acordo com levantamento feito pela Fiemg. A porção Central de Minas, que abriga boa parte da produção mineral do estado, e o Vale do Aço sofreram mais com as demissões neste ano, seguidos da Zona da Mata mineira, Rio Doce, Norte, Vale do Jequitinhonha e Alto Paranaíba (veja o quadro) Descontadas as contratações na indústria mineral, que tem como carro-chefe o minério de ferro, 1.644 vagas foram eliminadas de janeiro a março. Até 2014 as empresas vinham contratando mais que demitindo. A diferença a favor da geração total de empregos em Minas foi de 38.235 entre janeiro e março do ano passado, embora inferior às 41.326 vagas abertas no estado nos mesmos meses de 2013.

Não há perspectiva de reação, neste ano, da produção da indústria mineira e das contratações do setor, segundo Lincoln Gonçalves Fernandes, presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg. Só uma guinada nos rumos da economia poderia mudar o cenário carregado que a instituição desenha para 2015, de queda de 5,19% no faturamento das empresas. Nunca houve previsão tão pessimista na história dos indicadores da federação, agora pressionados pelo aumento da taxa básica de juros, aquela que remunera os títulos públicos no mercado financeiro e serve de referência para os bancos e o comércio.

“É estranho o governo adotar uma política que só aumenta juros e impostos, o que prejudica o próprio ajuste fiscal e sacrifica toda a sociedade. O Banco Central tem outras ferramentas que poderiam ser usadas, como mexer no compulsório dos bancos e elevar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)”, afirma Lincoln Gonçalves. A geografia das demissões reflete os setores que mais têm perdido dinamismo na produção e nas vendas: a cadeia automotiva, mineração e metalurgia básica e os fabricantes de máquinas e equipamentos.

Uma saída pelas exportações no curto prazo também é descartada. Na avaliação do vice-presidente da Fiemg, a manutenção por longo tempo do real sobrevalorizado frente ao dólar expulsou pequenas empresas do mercado internacional e funcionou como desincentivo à pauta de vendas externas mineiras, muito concentrada nas chamadas commodities, produtos agrícolas e minerais cotados no exterior. “Graças aos erros da política cambial, perdemos todo o esforço de diversificação que foi feito nos últimos anos. Por mais que se diga agora que o câmbio tornou-se atraente, vai demorar uma recuperação das exportações”, diz Gonçalves.

Redação do Jornal Nova Imprensa Uai

Sobre o Autor

André Ribeiro

Designer do portal Últimas Notícias, especializado em ricas experiências de interação para a web. Tecnófilo por natureza e apaixonado por design gráfico. É graduado em Bacharelado em Sistemas de Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

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