Os gastos no combate ao mosquito transmissor da dengue em Minas Gerais chegam a mais de R$ 29 milhões este ano, dinheiro suficiente para sustentar oito unidades de pronto atendimento (UPAs) no mesmo período. São R$ 18,6 milhões do Ministério da Saúde, R$ 4,8 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte (R$ 1,2 milhão por mês) e R$ 5,6 milhões do estado (veja quadro). Os recursos foram usados também em campanhas de mobilização da sociedade na luta contra os focos do Aedes aegypti. Mas, algumas vezes, por descuido, o inseto ganha a briga e leva muitas pessoas a sofrer com a doença. Na capital, já são 4.113 infectados, além de cinco pacientes que desenvolveram a forma hemorrágica e seis com complicações. No interior, as notificações chegam a 21,8 mil. Três mortes foram confirmadas no estado.
No trabalho diário de prevenção e combate às epidemias, os investimentos e as responsabilidades são divididos pelas três esferas: União, estados e municípios. A Portaria 1.172/2004 regulamenta as competências de cada âmbito da administração pública. Apesar de todo o investimento, o secretário municipal de Saúde de BH, Helvécio Magalhães Júnior, acredita que os métodos ainda são falhos. ?A capital faz tudo o que é recomendado para combater a dengue, é uma cidade citada pelo ministério como exemplo, mas ainda assim temos um grande número de doentes. Prova de que devemos aperfeiçoar nossa estratégia, pois ainda não atingimos a mobilização necessária. Não adianta colocarmos batalhões de agentes de zoonoses nas ruas, se identificamos, nos mutirões, que ainda há muitos focos nos domicílios?, afirma.
O secretário ressalta que R$ 1,2 milhão gasto mensalmente na capital é aplicado apenas na contratação de agentes de zoonoses e na aquisição de veículos. As despesas com internações, exames laboratoriais e publicidade ainda estão sendo levantados. A contratação de profissionais, a partir de agora, será feita por concurso público, o que implica em um aumento de 27% no custo.
Para ganhar mais eficiência na luta contra o Aedes aegypti, BH pretende inovar no combate ao mosquito, com a figura do agente comunitário de limpeza urbana. Esse método foi testado na Pedreira Prado Lopes, na Região Noroeste, e os resultados foram bons. ?Um agente faz a ponte entre as moradias e as caçambas coletoras de lixo. Além de procurar focos do mosquito, ele tem que recolher o material e trabalhar em programas sociais. Testamos esse modelo na Pedreira, nos últimos três anos, e houve redução da dengue no local?, conta o secretário.
Na verba que o governo federal destinou a Minas este ano não está incluído o que foi gasto com medidas adotadas em todo o país, que também beneficiaram o estado, como fornecimento de inseticida, kits diagnóstico, imunobiológicos e parte do material de proteção individual. A compra, nesse caso, é feita pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), via licitação internacional. Os gastos com insumos para todo o Brasil, feitos pelo Ministério da Saúde, chegam a R$ 600 milhões. No ano passado, a União destinou R$ 73,8 milhões a Minas para as ações de zoonoses: R$ 58 milhões para as prefeituras e o restante para o estado.
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Além dos aportes previstos na lei, que estabelece as responsabilidades, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) enviou este ano R$ 3,3 milhões a 86 municípios com maior número de casos e altos índices de infestação do Aedes aegypti. O que foi gasto em publicidade nesses primeiros quatro meses é o equivalente ao total investido no ano passado: R$ 1,5 milhão. ?Sempre investimos mais do que estava previsto. Além dos repasses feitos aos municípios e dos custos com capacitações e ações de coordenação, o estado gasta com os exames feitos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), que é responsável pelos testes da rede pública?, conta a coordenadora Estadual de Zoonoses da SES, Talita Chamone.
Em BH, a verba com a dengue é usada para cumprir os cinco ciclos de vistorias, feitas em 80 mil ?domicílios horizontais?, que são casas e áreas comuns dos prédios. Os locais de maior infestação do mosquito são checados a cada 15 dias. Os agentes de zoonoses fazem ainda ações de bloqueio, nas regiões onde há pessoas que contraíram a doença, para borrifação do inseticida. Esses métodos devem ser usados em todas as cidades. Atividades educativas nas unidades de saúde, associações e igrejas também são de competência do município. Os técnicos fazem acompanhamento da infestação do inseto, usando armadilhas chamadas de ovetrampas. ?Seguimos todo o receituário e percebemos que ainda não é o adequado. Temos que inventar fórmulas e tecnologias. Já sugerimos ao ministério uma reflexão sobre como controlar a doença nos grandes centros?, afirma Helvécio.

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