Sem arrefecer a relação entre Executivo e Legislativo, como esperava o governo, o recesso parlamentar termina nesta segunda-feira (3) com uma fila de projetos que podem causar ainda mais desgaste na relação entre os Poderes. Deputados e senadores vão avaliar, sobretudo nas próximas semanas, propostas que podem causar mais impactos econômicos e políticos ao governo Dilma.

As medidas de ajuste fiscal continuam na pauta. O Executivo terá que enviar ao Congresso um conjunto de projetos de redução da meta fiscal e de contingenciamento de R$ 8 bilhões no Orçamento deste ano. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já disse crer que será “difícil” que as matérias sejam aprovadas. Além disso, os parlamentares vão analisar os vetos de Dilma ao reajuste do Judiciário e à alternativa ao fator previdenciário.

No plano político, a tarefa pode ser ainda mais complicada para Dilma. Ela depende de reconstruir sua base para evitar desgastes. Duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) vão ser instaladas nesta semana: a que investiga os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a que vai apurar supostas irregularidades no uso de fundos de pensão de servidores e funcionários de estatais. O Congresso também deve analisar as contas do governo do ano passado e dar parecer sobre um eventual processo de impeachment contra a petista.

A deputada mineira Jô Moraes (PCdoB), da base de governo, sustenta que o Planalto tem dialogado mais com o Legislativo desde o início do recesso e que alguns “rebeldes” podem voltar à base de apoio no segundo semestre.

“Nesse período de recesso, o governo se concentrou em resolver os problemas que o impactavam, como o Orçamento Impositivo (liberação de emendas aos parlamentares), e em completar o quadro de indicação de cargos, que eram questões pendentes”, afirma.

Já o oposicionista Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) acredita que a temperatura na Câmara vai subir já a partir de hoje. “É imprevisível o que pode acontecer, mas a única certeza que tenho é que teremos um período de grande turbulência política”, afirma o tucano, citando os processos de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a análise de suas contas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Já Júlio Delgado (PSB-MG) defende “não misturar as coisas” ao se referir a uma pauta-bomba que pode ser construída para desgastar ainda mais a relação entre Legislativo e Executivo. “Isso só aumenta a crise política e a instabilidade”, afirma.

Na rua

Além da pautas-bomba, Dilma terá que enfrentar manifestação nas principais capitais. Movimentos que pedem o impeachment da petista convocaram protesto para o dia 16.

 

 

O Tempo

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