Depois de experimentar forte crescimento econômico, o Brasil esbarrou na desigualdade de oportunidades de emprego para a população de acordo com a escolaridade. A cada cem pessoas com ensino fundamental, 18 estão sem emprego. Índice 200% maior do que a média geral, onde seis pessoas estão desempregadas a cada grupo de cem pessoas no Brasil. Os dados são do IBGE.
Uma péssima notícia para Minas Gerais, onde a escolaridade média da população urbana, medida pela Pesquisa por Amostra de Domicílios (PAD) da Fundação João Pinheiro, é baixa, de 6,9 anos de estudo, abaixo do tempo do ensino fundamental, oito anos.
Nem a região metropolitana de Belo Horizonte se salva, com os 7,8 anos de estudo da população. O período médio de educação formal não chega a corresponder sequer ao ensino fundamental em Minas Gerais. Por esse prisma, de seis a oito anos de escolaridade é pouco. Por direito, todo mundo tem que ter a educação fundamental no Brasil, avaliou a coordenadora da PAD, Nicia Moreira de Souza.
A coordenadora nacional da PED, Lúcia Garcia, admitiu que quem tem menor escolaridade encontra maior dificuldade de absorção no mercado de trabalho. Isso expressa taxas de desemprego maiores e o rendimento é menor, analisou a especialista.
Sem o ensino fundamental completo, Willian Sérgio Quirino, 26, sofre para encontrar emprego. Quando completei 12 anos, perdi minha mãe, fiquei abalado e não quis mais estudar, apesar do meu pai insistir, conta, lembrando a escolha errada. Nos últimos sete meses, Willian trabalhou como segurança de boate por R$ 800. Há três semanas, procura uma vaga de porteiro, mas já trabalhou em eventos, ajudante de padeiro, serviços gerais e lava-jato. Pai de três filhos, Willian quer outra história. O que eu fiz de errado para mim eu não quero para meus filhos, afirmou sobre os estudos.
Com despesa mensal de R$ 350, Adelson da Cruz, 29, procura emprego há dois meses. Acostumado ao trabalho braçal, Adelson, que é transexual, trabalhava como enxugador de veículos para ganhar R$ 528. Quero voltar a estudar porque ajuda a encontrar serviços bons, afirmou Adelson, ao pegar mais uma ficha no Sine Floresta. Já peguei várias fichas e, quando chego no lugar e digo que sou transexual, não me ligam mais, reclama do preconceito.
A economista Lúcia Garcia apontou dados mais pessimistas para quem estacionou no ensino fundamental. Entre 1999 e 2009, o número de ocupados com ensino fundamental incompleto caiu 2%. Essas pessoas estão sendo preteridas, adverte. A coordenadora de desenvolvimento humano da Faculdade IBS/Fundação Getúlio Vargas, Jacqueline Rezende, cobra do governo incentivo maior ao ensino médio no turno da noite, por meio do supletivo. O Telecurso, apesar de dar o certificado, não dá o conhecimento necessário para profissional de referência no mercado, disse.

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