Em relatório publicado anteontem pelo Tribunal de Contas da União (TCU), uma observação aponta para a negligência dos servidores da Saúde no que diz respeito ao uso de materiais. Segundo o documento de 198 páginas, que compila os trabalhos mais relevantes realizados na área em 2013, gestores relataram o mau aproveitamento de insumos por parte dos funcionários em 45 das 116 unidades visitadas em todo o país.
No relatório, o percentual (39%) é avaliado como ?alto e grave? pelo TCU. Entre os casos relatados, o documento aponta ?descarte de insumos não consumidos em sua totalidade, atuação negligente que leva à inutilização de materiais e furtos de bens?. Porém, sem divulgar dados específicos sobre valores que possam mensurar o desperdício em números.
Em Minas Gerais, o diagnóstico cita que, nas unidades visitadas no Estado (a assessoria do TCU não informou quais), foi observada a ?utilização de esparadrapos e agulhas de seringas para fixação de cartazes, fralda para não fechar a porta e de lençol como toalha ou cortina?.
Cultural. Já o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais questiona as observações de ?desperdício?. Por meio da assessoria, a agremiação disse que a má utilização de materiais se trata mais de uma ?adaptação? por parte dos trabalhadores. ?Muitas vezes há falta de insumos, e é preciso improvisar para que o trabalho seja feito. Isso acaba se tornando um hábito, que depois se transforma em uma cultura. Porém, é comum ter de esperar para que um material em falta chegue, devido à burocracia, como por exemplo, publicação de editais de licitação etc. Assim, acaba sendo a maneira que o trabalhador encontra para executar uma tarefa?, afirma o sindicato.
Sem detalhes
Relatos. Para se chegar às observações de desperdício, o TCU ouviu gestores de 116 unidades de saúde do Brasil. Por serem relatos de percepção, não há dados detalhados.
Profissionais
Segundo o documento, 81% dos hospitais do país possuem déficit no quadro de profissionais. Nas capitais, o número médio de médicos por mil habitantes é de 4,56, enquanto o indicador cai para 1,1 no interior. O ranking é liderado por Brasília, com mais de quatro médicos para cada mil pessoas. Minas Gerais está acima da média nacional nesse quesito.
Superlotação
Segundo o TCU, 94% dos hospitais no Brasil estão superlotados. O documento aponta que 64% dos hospitais visitados apresentam taxa de ocupação de emergência maior que a capacidade total. Minas tem até 2,5 leitos por mil habitantes, número dentro do recomendável pelo Ministério da Saúde (entre 2,5 e 3,5). (com Bruna Carmona)
Demora
Ainda de acordo com o relatório, o serviço de acolhimento com classificação de risco é realizado em 74% das unidades de saúde no país. No entanto, a demora no encaminhamento e a dificuldade de encontrar leitos para transferência dos pacientes aumentam o tempo de espera na emergência, segundo o estudo do TCU.

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