Desde o dia 18 de dezembro do ano passado, data da inauguração do prédio da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Formiga, que hoje abriga na verdade o Pronto Atendimento Municipal (PAM), que a presença de grandes caixas de madeira logo na recepção da unidade de saúde não só tem atrapalhado o uso do espaço, e o atendimento no local, como passou a ser uma espécie de símbolo que desmente a falsa afirmativa do prefeito de que “saúde por aqui, é prioridade de governo”.

É que dentro das enormes caixas está acondicionado o aparelho de raio-x que já deveria estar em operação e que sequer foi instalado. Considerado como um dos equipamentos mais modernos disponíveis no mercado, o aparelho foi adquirido em outubro de 2015 por nada menos que R$260 mil, até agora desperdiçados. Na época da compra, a Secretaria de Saúde era comandada por Gonçalo Faria e a propaganda governamental alardeava as benesses que a tal máquina traria para os milhares de usuários do PAM.

Se observadas as condições de algumas das cadeiras da sala de espera do Pronto Atendimento já quebradas e um número constante de pessoas que são vistas debruçadas sobre as caixas que “escondem” a moderna aparelhagem de raio X, não é difícil deduzir que além do alto valor pago na compra, mais dinheiro público deverá ser gasto para se fazer os reparos no equipamento quando de fato ocorrer a instalação (se é que ocorrerá).

No dia 17 de maio deste ano, o atual secretário de Saúde, Ronan de Castro esteve no Legislativo para fazer uso da Tribuna do Povo e quando questionado sobre o aparelho encaixotado na entrada do Pronto Atendimento Municipal, disse que já estava em contato com a Secretaria de Obras para saber se os profissionais da pasta tinham condições de fazer a instalação do mesmo ali no PAM, caso contrário, uma empresa seria licitada para fazer o serviço o mais rápido possível.

Isto porque segundo o secretário, ele havia sido informado de que a entrada do aparelho em funcionamento dependeria da instalação da rede elétrica, já orçada anteriormente em R$ 220 mil. “É óbvio que estranhei este preço. Não concordei com ele e tentei junto à Secretaria de Obras, que dispõe de técnicos para executar o tal serviço, que para mim, dependeria de um eletricista e de uma certa quantidade de material a ser adquirido. Porém, a Secretaria de Obras nos informou que não dispõe de pessoal especializado para realizar tal tarefa. Assim sendo, determinei que se inicie o processo para escolha de uma empresa que refaça o projeto elétrico e liste o material a ser adquirido. Acredito que, com isto, economizaremos muito dos recursos que todos sabem que já são escassos”.

Nesta semana, três meses após a ida do secretário à Câmara, o jornal entrou em contato, via e-mail, com a Secretaria de Comunicação e por telefone com o setor de licitações para saber se desde então, foi aberto algum processo licitatório para a contratação de empresa, como prometido. No setor de licitações, a informação é de que nenhum documento para dar entrada em processo semelhante havia chegado àquele setor. A Secretaria de Comunicação não enviou nota oficial sobre o assunto.

(foto: Paulo Coelho)

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