Reconhecendo o importante papel que a imprensa escrita desempenha ao registrar com fidelidade os “fatos e causos” que julga de interesse público, reli hoje no diário “O Pergaminho”, nota que retratou um fato aqui ocorrido há exatos dez anos.
Tratava a manchete àquela época de uma importante ação de um numeroso grupo de vereadores que, na ânsia de se mostrarem, anunciavam um mutirão de limpeza nas margens do Rio Formiga, aqui na região central. A matéria informa ainda, que o então secretário de Gestão Ambiental, questionado a respeito pela redação do “Perga”, respondeu ironicamente: “É um direito deles e um dever de todo cidadão. É um exemplo que eles estão dando”.
Dez anos se passaram, mas, sendo este editor o alvo da reclamação dos ilustres vereadores de então, concluí que em verdade, nada ou muito pouco, de lá para cá, se modificou por aqui.
Dos personagens que saíram em público para promover a limpeza prometida em toda a extensão da calçada que ladeia o rio na região central, muitos até hoje ainda continuam com assento na Câmara ou, em cargos da administração municipal e outros, talvez com saudades daqueles instantes que se julgaram garis, já anunciam que serão candidatos à vereança na próxima eleição.
A sujeira nas margens do rio, naquele mesmo local, próximo ao Terminal Rodoviário ainda é vista dia sim outro também, já que os “sujismundos”, talvez agora 10 anos mais velhos, quem sabe ainda sejam os mesmos. Aliás, a imprensa, toda ela, também hoje, não se cansa de mostrar que a falta de educação, de civilidade ou sabe-se lá de que, tem dado mostras de que por aqui é tradição do povo, espalhar lixo por toda a cidade, até mesmo lá na lagoa da Praia Popular, conforme atestam as muitas toneladas de lixo que dela foram retiradas.
A matéria de capa exibida há dez anos só não contou que aqueles senhores que se arvoraram de varredores, capinadores e ou/garis, foram os mesmos que naquela década não permitiram que o município, a exemplo do que já ocorria em muitos outros, se valesse do emprego da mão de obra carcerária para, quem sabe, minimizar o sofrimento que a falta de esmero com a limpeza urbana, trazia aos senhores edis. Isto a custos ínfimos.
Também não tratou do fato de que eles, embora em bom número, não tivessem conseguido promover a limpeza prometida e anunciada aos quatro ventos. Se cansaram logo e cerca de 15 a 20 metros quadrados de calçada foi a área por eles trabalhada (???)
Lembro-me bem que todas as ferramentas por eles utilizadas, assim como o produto resultante da catação coube no porta-malas de um veículo de pequeno porte, me parece um chevette, de propriedade de um daqueles fanfarrões que se mostrou como sendo dos mais entusiasmados com aquela brilhante operação.
Interessante, mas muito triste saber que pouca coisa mudou por aqui nestes mais de dez anos.
Sofás, cadeiras e muito lixo são diariamente atirados nas ruas e nas margens dos nossos rios. A coleta de lixo continua a todo vapor, mas a reciclagem, sim a que naquele ano se situava em torno de 10% das 42 toneladas diárias aqui recolhidas, hoje está em quanto? Será que eles sabem responder?
A verdade é que alguns dos vereadores de hoje, provavelmente os mesmos de amanhã, e comprovadamente aqueles que foram personagens na história aqui relembrada, encontrem agora uma forma de auxiliar o Executivo nesta questão de limpeza pública. Senhores permitam que o Aterro Sanitário possa receber lixo de fora, quem sabe em consórcio com a vizinhança, pois assim sendo, poderemos aliviar parte dos gastos que obrigam este município a suportar. A economia, ou quem sabe a sobra, possa ser aplicada em mão de obra para facilitar a tal limpeza que, antes como agora, é impossível de ser realizada com o número de garis, coletores e capinadores que são disponibilizados.
Se os erros passados puderem ser corrigidos, e me penitencio e digo que também os cometemos, e muitos, agora ou quem sabe no amanhã, terão valido e muito, se o papel da imprensa ao registrá-los, cotidianamente, for melhor entendido ou aproveitado.
Concluindo e concordando com quase tudo aquilo que foi publicado àquela época, ouso apenas discordar do adverbio “ironicamente”, pois, apenas pretendi com aquela resposta, mostrar a eles e a quem mais lesse a tal matéria que, atuar em favor da limpeza da cidade é obrigação de todos nós. Sem ironia, repito, mas com a certeza de que através do exemplo, podemos sim, educar esta parcela de nosso povo, que se espelha no sujismundo.

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