A necessidade do isolamento social para evitar a disseminação, em maior amplitude, do coronavírus, provocou mudanças nos hábitos da sociedade.

Como afirma Simone Beauvior (Balanço final, Rio de Janeiro, Fronteira, 1982, p. 40) vivemos “sem tempos mortos”, todo dia é significante e o instante atual mostra como a sociedade precisa da interação das pessoas.

Na política, os líderes mundiais perceberam que o seu futuro eleitoral depende da sua performance no combate ao vírus, na preservação do maior número de vidas, empregos, empresas e rendas. O governo da Coréia do Sul adotou política eficiente de combate à pandemia e foi premiado com vitória nas eleições parlamentares ocorridas no dia 15 deste mês.

No emprego, o trabalho remoto (home office) ganhou grande impulso.

Nas soluções digitais para serviços e comércio, proliferou o uso do comércio eletrônico, o pagamento digital e as lives de shows de artistas.

O ramo de viagens, por diversas razões (negócios, lazer, estudo, migração, etc.), apresentou dificuldades, devido às restrições de trânsito de pessoas e pelo fato de em uma pandemia ser mais seguro estar em seu país de origem.

O vírus atua em ondas e causa prejuízos. Na onda da sobrevivência ao vírus, em meio a notícias e constatação de mortes de pessoas, as pessoas ficam sem ação diante da possibilidade de falta de estrutura hospitalar e médica. Com o prolongamento do isolamento social, passa-se a ter aumento dos índices de depressão e inseguranças com o futuro social e econômico. Na outra onda ocorrem os reflexos econômicos, com perda de valor de ativos, de rendas e de empregos, falência de empresas. Em todas as situações, é necessário do Estado ajudar a saúde das pessoas e da economia.

Os reflexos na economia vão desde uma sociedade mais digital até o Estado direcionador e com maior participação, para gerar empregos e salvar empresas.

Teremos um mundo mais conectado digitalmente, mas isolado fisicamente, com os agentes econômicos à procura de soluções locais e de auto-suficiência, pois a dependência de produtos chineses e o fato dos carregamentos de máscaras adquiridas (pelo Brasil e França) terem sido desviados e enviados para os Estados Unidos, evidenciaram as fragilidades da globalização.

Não podemos nos enganar, mesmo com o fim das medidas de isolamento social, enquanto não se tem a cura, as pessoas ficarão receosas de contatos sociais, evitarão aglomerações e preferirão contatos digitais. Somente a cura nos propiciará a volta a uma vida normal.

Há milênios os seres humanos são animais sociais e criam laços para sobreviver. Entretanto, após dias de isolamento para prevenção contra o coronavírus, será difícil retomar antigas formas de socialização e terá de ser lançada campanha de -vá para a rua, socialize- ou, melhor, com a cura, ser indicado dia para ser o -Dia da vitória da vida-, com realização de festas públicas de congraçamento.

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