A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem medidas que visam melhorar a infraestrutura logística do Brasil. A previsão é investir R$ 133 bilhões até 2037 em rodovias e ferrovias. Essa plano faz parte do Programa de Investimentos em Logística e visa dar concessão dos trechos viários para a iniciativa privada. Desse total, R$ 79,5 bilhões deverão ser investidos já nos próximos cinco anos. O restante, a cargo da iniciativa privada, em 25 anos. As operações serão financiadas pelo BNDES.
Do valor total, R$ 42 bilhões serão investidos em rodovias e R$ 91 bilhões em ferrovias, nos próximos 25 anos. Serão, no total, 7.500 quilômetros de rodovias concedidas e 10 mil km de ferrovias. As rodovias serão concedidas a empresas que oferecerem o menor pedágio quando os leilões começarem a serem feitos no início do ano que vem. São grandes eixos estruturantes do Brasil, que se articulam entre si, disse o ministro dos Transportes, Paulo Sergio Passos.
Serão 5.700 quilômetros de rodovias construídos. Outros 1.800 quilômetros de estradas que já foram duplicadas pelo governo serão concedidos para empresas privadas fazerem a manutenção e gestão. São nove lotes de rodovias a serem concedidas, que envolvem nove BRs. Dessas, seis passam por Minas Gerais. O trecho no Estado que passará por intervenção e será concedido para a iniciativa privada soma cerca de 2.600 quilômetros. Quer dizer que o motorista que transitar por essas estradas terá que pagar pedágio.
Ainda segundo o ministro, o programa tem como metas tornar a logística nacional mais eficiente, combinada com custos menores para os usuários. Ele lembrou que, por décadas, houve baixo investimento no setor, o que começou a mudar desde o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo também anunciou a criação de uma empresa de planejamento logístico que vai ser responsável pelo planejamento de longo prazo dos transportes em todo país.
A presidente Dilma Roussef disse que a melhora da infraestrutura visa reduzir o chamado custo Brasil. Entre as rodovias que serão concedidas, estão na lista a estrada que liga Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais (BR–040), a BR-101 no litoral da Bahia, a rodovia de Goiás a Minas Gerais (BR-153), além das BRs 040 e 116 em Minas Gerais, que já estão em processo de audiência pública.
Fazem parte do pacote de Parceria Público Privada (PPPs) 12 ferrovias, entre elas uma que ligará Belo Horizonte a Salvados, sem projeto definido.
O choque na infraestrutura foi comparado a um modelo de privatização até por empresários presentes à cerimônia de anúncio do programa, no Palácio do Planalto, mas a presidente Dilma Rousseff não só rejeitou o termo como criticou a venda de estatais ocorrida na gestão do PSDB.

Nós, aqui, não estamos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida, disse Dilma, numa referência à privatização de empresas no governo FHC.
Segundo analistas privados, o efeito sobre o desempenho da economia – que neste ano poderá crescer menos de 2% – somente deverá ser sentido de forma plena a partir de 2014, ano de eleição presidencial. Dilma quer um crescimento na faixa de 4,5% a 5%.

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