Apenas quatro clínicas para recuperação de dependentes químicos em Divinópolis têm alvará sanitário para funcionamento.

A lei que permite a internação involuntária de dependentes químicos, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no dia 5 de junho, reascendeu a preocupação com as casas de recuperação na cidade.

Em 2017 e 2018, a Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) fechou 14 clínicas da cidade por irregularidades. Além das quatro clínicas licenciadas, outras seis estão em processo de regularização, segundo a diretora da Vigilância em Saúde, Janice Soares.

“Na grande maioria [de casas de reabilitação], nós vimos a aplicação de maus-tratos, castigos, com medicamentos psicotrópicos administrados sem um acompanhamento médico, e sem um critério médico. Tivemos já relatos de óbitos que aconteceram lá dentro [destas casas]. Pessoas com doenças contagiosas, pessoas que estavam lá de forma involuntária [antes da nova lei], pacientes psiquiátricos… encontramos, também, foragidos da polícia que ficavam lá dentro. Uma série de situações sociais em que não é o propósito de uma sociedade terapêutica receber”, disse Janice.

Criada há 18 anos, a “Casa Dia” já reabilitou cerca de duas mil pessoas desde a criação, segundo o coordenador Rui Faria Campos. Atualmente, o local, que vive de doações, atende a 37 pacientes do sexo masculino, com idade entre 18 e 60 anos.

“A gente faz um tratamento humanizado e individualizado para cada um. É desenvolvido um projeto terapêutico para cada paciente”, contou o coordenador.

Fechamento de clínicas

Uma denúncia enviada ao Ministério Público Estadual (MPE) envolvendo maus-tratos em clínicas de recuperação de dependentes químicos em Divinópolis foi o que deu início à força-tarefa em agosto de 2017. Na época em que a 11ª clínica foi interditada, a Vigilância Sanitária estimava existirem 19 instituições atuantes no município e apenas quatro estavam regulares.

Nos locais onde a internação era cobrada, a média paga por paciente ficava entre R$ 1,6 mil e R$ 1,9 mil, conforme apurou a equipe de fiscalização.

 

 

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Fonte:

G1