Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, é uma das cidades que mais perderá profissionais do programa social Mais Médicos em todo o Estado, segundo dados do Ministério da Saúde.

Ao todo, 17 profissionais terão que abandonar seus postos de trabalho nas unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e nas unidades tradicionais de atendimento da cidade – número que representa 1/5 de todos os médicos atualmente empregados pelo município.

O governo de Cuba informou na última quarta-feira (14) que decidiu sair do programa social Mais Médicos, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) à presença dos médicos cubanos no Brasil.

O país caribenho envia profissionais para atuar no Sistema Único de Saúde desde 2013, quando o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT) criou o programa para atender regiões carentes sem cobertura médica.

O comunicado não diz a data em que os médicos cubanos deixarão de trabalhar no programa. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) disse apenas que foi comunicada da decisão, sem dar mais detalhes.

Nesta quinta-feira (15), a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou uma nota informando que a saída de cubanos do programa afetará mais de 28 milhões de pessoas em todo o país. Ao todo, 8.332 vagas serão deixadas em aberto pelo país.

Na manhã desta sexta-feira (16), o Ministério da Saúde informou que a seleção de médicos brasileiros para ocuparem as vagas que serão deixadas pelos profissionais do programa ocorrerá ainda em novembro.

Divinópolis

A cidade lidera o ranking estadual de municípios que mais perderão médicos do programa social ao lado de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com 17 profissionais.

G1 entrou em contato com dois médicos cubanos que trabalham da cidade para falar sobre a situação. Nenhum quis gravar entrevista, mas um dos médicos afirmou: “estou muito preocupado com a situação, agora só rezar por um país melhor”.

O secretário municipal de Saúde, Amarildo de Sousa, disse à reportagem que o município necessitará realizar um processo seletivo para repor o quadro de profissionais. No entanto, não disse quando isso será realizado.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Divinópolis conta, atualmente, com 91 profissionais que atendem em 32 ESFs e em 11 unidades tradicionais de atendimento. Os 17 médicos do programa representam 1/5 do quadro de médicos da cidade.

O corte complica ainda mais a saúde pública da cidade, que passa por dificuldades financeiras devido aos atrasos de repasses por parte do Governo do Estado – atualmente estimado em mais de R$ 94 milhões, sendo que, deste valor, mais de R$ 70 milhões são relacionados à saúde.

A Prefeitura da cidade afirmou que a saída dos médicos cubanos afeta diretamente a saúde local, pois os cortes que serão realizados impactam nos atendimentos na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS).

Estado

O Estado perderá 596 médicos com o fim do programa social “Mais Médicos”. Segundo dados do Ministério da Saúde, eles são responsáveis pelo atendimento em 283 dos 853 municípios de Minas Gerais.

 

Fonte: G1 ||https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2018/11/16/divinopolis-e-uma-das-cidades-que-mais-perdera-profissionais-do-mais-medicos-em-minas-gerais.ghtml

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