O dólar continua em trajetória de alta nesta quarta-feira (9) e chegou à marca dos R$3,60, cotação que não era atingida durante o pregão desde 2 de junho de 2016. O cenário externo ainda pesa sobre os mercados diante de temores de juros maiores nos Estados Unidos e tensões geopolíticas envolvendo o país e o Irã.
Às 14h, a moeda norte-americana subia 0,69%, cotada a R$3,5951 na venda. Na máxima do dia, porém, foi a R$3,6016. A última vez que o dólar fechou acima dos R$ 3,60 foi em 31 de maio de 2016, quando terminou o pregão vendido a R$3,6142. Veja mais cotações.

Perto do mesmo horário, o dólar turismo era cotado a R$ 3,76.

Acordo EUA e Irã

Na véspera, o presidente norte-americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã e anunciou sanções econômicas ao país. Isso alimentou temores de que a produção e exportação de petróleo iraniano sejam afetadas, o que elevaria os preços da commodity.

Preços mais caros de petróleo impactam a inflação e podem levar o banco central dos Estados Unidos, o Fed, a subir mais os juros no país. Com taxas mais altas, os EUA se tornariam um destino mais atraente para investimentos aplicados em outros mercados, como o Brasil, o que pode provocar fuga de dólares e gerar uma valorização da moeda americana.

Diante disso, os preços do petróleo avançavam cerca de 3% nesta manhã, acima de US$ 70,98 por barril, perto das máximas do fim de 2014.

Juros mais altos nos EUA e mais baixos no Brasil

Nesta seção, o dólar também se valorizava mais em relação ao real do que sobre moedas de países emergentes por conta do chamado diferencial de juros.

Ao mesmo tempo em que há temores de que o Fed eleve ainda mais os juros nos EUA, há expectativa de que o Banco Central brasileiro reduza a taxa básica de juros, a Selic, na próxima semana para nova mínima histórica, a 6,25% ao ano. Com uma diferença maior entre as taxas, os investidores tendem a migrar para a maior economia do mundo atrás de rendimentos com baixíssimo risco.

“Acredito que se a moeda furar R$3,60, o BC voltará a atuar, porque se trata de um movimento especulativo”, afirmou à Reuters o gerente de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

Em entrevista à Globonews na terça-feira (8), o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, explicou que a alta do dólar é um movimento global e não exclusivo ao Brasil, mas garantiu que a autoridade está monitorando o mercado para seu bom fundamento e intervirá quando necessário.

Neste mês, o BC entrou com mais força no mercado de câmbio e, nesta sessão, realiza novo leilão de até 8,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de junho.

Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês, o BC terá rolado integralmente os US$5,650 bilhões que vencem no mês que vem e terá colocado o equivalente a US$2,8 bilhões de adicionais.

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Fonte:

G1